Furtos por fome, o ponto central

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Rafson Ximenes

A notícia mais relevante da semana não foi a definição da chapa governista, nem a migração do vice-governador para a chapa de oposição. Todos os pré-candidatos deveriam prestar muita atenção à informação revelada pela Defensoria Pública, que foi manchete de capa deste jornal na quinta-feira: os furtos famélicos dobraram nos últimos quatro anos. O motivo é óbvio e não é falta de polícia: a pobreza explodiu e a fome dobrou. Não sei o que pode ser mais importante para um governante do que reduzir os déficits acumulativos da pobreza. 

A volta tão intensa do monstro da fome não é um fato isolado. Seria reconfortante se pudesse ser imputado apenas à pandemia, mas não pode. A miséria ressurge após alguns anos em que vigora no país, com reflexos evidentes na Bahia, o desprezo à vida das pessoas pobres. A tentativa de punir os famintos com a prisão é irmã das execuções da juventude negra em ações policiais. ?? prima da reforma que precarizou as relações de trabalho. ?? filha direta das tentativas de desvalorização dos servidores e do serviço público.

A esfera pública foi dominada por conceitos que menosprezam a experiência real. Nos preocupamos muito com a ???opinião??? e os ???sentimentos??? do mercado, com a austeridade fiscal e com as vantagens para os grandes empresários. Em uma inversão narrativa, fala-se como se os mega-empreendedores atuassem abnegadamente pelo bem comum e não pelos seus próprios interesses. Já o Estado, precisaria se comportar tendo como objetivo principal a rentabilidade e não a melhoria das condições de vida. ?? como se o Bahia fosse rubro-negro e o Vitória tricolor.

A classe empresária, com razão, preocupa-se com o seu retorno financeiro e, portanto, atuará apenas quando puder obter lucro e da forma que potencialize ao máximo os ganhos. Reduzir desigualdades, incluir socialmente, não é seu objetivo principal. O Estado é quem deve garantir saúde, educação, acesso à justiça, auxílios, moradia e condições dignas de vida para toda a população. Isso se faz com serviços e com servidores, não apenas com obras e concreto. Quem cuida de gente é gente.

Em um cenário de fome, desemprego e miséria, que não pode mais ser escondido, cabe aos pré-candidatos ACM Neto (União Brasil), Giovani Damico (PCB) Jerônimo Rodrigues (PT), João Roma (Republicanos) e Kleber Rosa (PSOL) pensarem bem nos seus programas. A Bahia precisa de preocupação com o bem-estar e a dignidade das pessoas. Não podem haver cidadãos de segunda categoria ou vidas que valham menos. Voltando aos furtos famélicos, o que explicaria que, na hora do julgamento, a defesa daquelas pessoas receba menos recursos que a acusação e o julgamento? ?? aí que as opções se escondem.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mulher de 42 anos morre atropelada por carro roubado na zona oeste. Vídeo

Uma mulher de 42 anos morreu após ser atropelada por um veículo roubado que circulava em alta velocidade na região de Pirituba, zona...

Prefeito de Luís Eduardo Magalhães recebe título de Cidadão Baiano na ALBA

Resumo rápido: O prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Junior Marabá, recebeu o título de Cidadão Baiano na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). A...

TSE mantém cassação de deputado de Roraima por compra de votos

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou nesta quinta-feira a cassação do mandato do deputado estadual Renan Bekel, do Republicanos de Roraima, por compra de...