Três meses depois que um paredão rochoso se desprende, causando a morte de 10 pessoas que estavam em uma lancha, os cânions do Lago de Furnas, em Capitólio, no Sudoeste de Minas, já estão recebendo turistas novamente. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Lucas Arantes Barros, informou que o movimento de visitantes ainda é pequeno. No fim da semana passada, logo após a reabertura, o lago recebeu média de cerca de 80 grupos de visitantes/dia. Como esse controle não era feito antes do acidente, em 8 de janeiro, segundo ele, não é possível fazer comparações. A expectativa, no entanto, é de que o número de visitantes aumente gradualmente nos feriados da semana santa e de Tiradentes.
????? preciso levar em conta que muitos fatores impactam o turismo, como a situação econômica, o preço do combustível, a estação do ano. Após tanto tempo, o movimento até que foi bom para um primeiro fim de semana, principalmente considerando que era fim de mês???, disse Barros à Agência Brasil. Além de estabelecer novas regras, como a obrigação de os condutores manterem as embarcações a uma distância mínima dos paredões e respeitarem os limites estabelecidos para cada trecho do percurso, o município, a 282 quilômetros de Belo Horizonte, contratou uma equipe de geólogos para avaliar, diariamente, a estabilidade dos blocos de pedra.
Integrante da diretoria da Associação dos Empresários de Turismo de Capitólio (Ascatur), Vitor Vasconcelos afirma que as medidas de segurança adotadas após o acidente estão sendo bem recebidas pelos visitantes e por quem trabalha com turismo. ???Uma coisa que nos preocupava era como as novas normas de segurança seriam recebidas. Acabou que todos as receberam muito bem. Os visitantes não só estão acatando todas as regras, como continuam curtindo os passeios???, comentou Vasconcelos. Segundo ele, o número de turistas já vinha aumentando gradualmente desde fevereiro, em função das várias outras atrações turísticas da região. ???Dificilmente a pessoa que passar uma semana em Capitólio conhecerá mais da metade dos nossos atrativos turísticos???, garantiu Vasconcelos.
A cidade integra o Circuito Turístico Nascente das Gerais e oferece outras opções, além dos passeios náuticos pelo chamado ???Mar de Minas???, como costumam ser chamados os 1.440 km² do lago da represa de Furnas, que também não se limita aos cânions, onde foram identificados cinco pontos de maior risco de queda de pedras. ???Apenas uma única área do lago onde é possível passear de lancha estava interditada???, destacou Vasconcelos.
???Mesmo assim, com as notícias, a queda no movimento chegou a 95% logo após a tragédia. Mas se compararmos o resultado de abril deste ano com o de anos anteriores, a diferença não foi assim tão grande. Também é preciso diferenciar as consequências do que aconteceu em 8 de janeiro daquilo que várias cidades turísticas estão enfrentando???, explicou Vasconcelos, citando, como exemplo, o impacto das fortes chuvas que atingiram o estado no início do ano, impactando o turismo.
O decreto municipal que liberou os passeios náuticos estabelece que o retorno das embarcações deve ocorrer de forma controlada. Todos os limites e faixas de segurança devem estar sinalizados. No percurso delimitado identificado como trecho 1, será permitida a entrada de, no máximo, quatro embarcações por vez. Já o chamado trecho 2 só poderá ser acessado por uma embarcação por vez, e não será permitida nenhuma parada neste percurso.
Conforme estipulado pelas autoridades locais, os barcos deverão respeitar distância mínima dos paredões. Todos os passageiros deverão assinar um termo de consentimento contendo orientações sobre as novas regras de visitação, como o uso obrigatório de coletes salva vidas e de capacetes. Embarcações de mais de 32 pés não podem acessar os cânions. As demais, não podem exceder 3 nós de velocidade.
recomendações Segundo a prefeitura, as novas regras seguem as recomendações apresentadas pelos estudos geológicos realizados após a tragédia pela Polícia Civil. No inquérito policial instaurado para apurar o ocorrido, a polícia concluiu que eventos naturais causaram o desprendimento das rochas e que o ???processo geológico de remodelamento de relevo??? é comum na região, favorecendo que os blocos rochosos se rompam. A Polícia Civil apresentou dez sugestões para aumentar a segurança no lago ??? limitação do número de embarcações navegando, simultaneamente, pelos cânions, a melhoria do sistema de alerta e o mapeamento das zonas de maior risco.
???Estamos correndo atrás de recursos para fazer a contenção. Também estamos avaliando a possibilidade de instalar um sistema de monitoramento eletrônico da área. De qualquer forma, a análise geológica diária, feita por profissionais contratados pela prefeitura, em conjunto com as outras normas, já trazem uma segurança às atividades turísticas no lago???, disse o secretário.

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