Um verdadeiro Carnaval fora de época. Esse foi o clima do show ???Pipoca no Parque???, do cantor Saulo Fernandes, que aconteceu na tarde deste domingo (1), no Parque da Cidade, em Salvador. Gratuita, a apresentação animou uma multidão, que lotou o anfiteatro Dorival Caymmi, espaço de eventos do Parque. O público se espremeu até no gramado, sem deixar faltar a companhia do bom e velho cooler de cerveja.
Foi a primeira apresentação gratuita do cantor desde o início da pandemia de covid-19. A última foi na tradicional Pipoca de Saulo, no Carnaval de 2020. A apresentação deste domingo aconteceu após o lançamento do disco do artista AETD+ (Agora é tempo demais), trabalho com diversas parcerias como Durval Lelys, Banda Melim, Afrocidade e Vitor Kley.
A estudante de Pedagogia Samir Larissa, de 21 anos, se emocionou com o show. Ela contou que acompanha o cantor desde os 8 anos. ???Minha mãe me levava para os shows de Saulo, eu não sei o que é Carnaval sem Saulo. Hoje eu estou aqui emocionada demais porque são 2 anos de pandemia, sem ver ele, sem sentir essa energia que ele passa nos shows. Já chorei, já sorri, já até passei mal de nervoso???, disse a estudante.
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| Samir acompanha Saulo desde os 8 anos (Foto: Carolina Cerqueira/CORREIO) |
Ao som de músicas como Anunciação, Circulou, Minha Pequena Eva, Beija-flor e Tudo Certo na Bahia, a multidão tirou os pés do chão e cantou a plenos pulmões. Com Agradecer, uma enorme roda se formou, para lembrar ainda mais o Carnaval, proporcionando aquele empurra-empurra bonito de ver e gostoso de participar.
Para a segurança dos pequenos, o cantor chamou as crianças para o palco antes de incitar o público a abrir a roda. Eles dançaram e até cantaram ao microfone.
Nem a chuva que caiu no meio do show atrapalhou o clima de festa. Ao olhar para baixo, era possível ver os sapatos sujos de lama pulando em movimento frenético. E teve até quem desistiu deles. Ao olhar para cima, além das mãos para o alto, estavam sandálias levantadas.
Quem levantava as mãos para o alto era a aposentada Amenaide Borges, de 59 anos. Ela disse que chegou a ser internada quando foi infectada com covid-19 e que foram as músicas de Saulo que a ajudaram a se recuperar. ???Me recuperei cantando as músicas de Saulo, era o que me animava???, declarou.
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| Dona Amenaide é fã de Saulo e diz que músicas do cantor a animaram quando teve covid (Foto: Carolina Cerqueira) |
Amenaide foi sozinha mesmo para o show porque não perderia por nada. ???Quando eu soube que ia ter show dele, foi uma alegria. Fiz questão de estar aqui. Eu amo esse cara, ele é sensacional, tem uma energia maravilhosa???, declarou.
Saulo já é conhecido pelos projetos gratuitos. Com o “Canto da Rua”, fez shows também no Parque da Cidade, em 2014, e no Jardim de Alah, em 2016 e 2018, com a participação de convidados como as Ganhadeiras de Itapuã, Sussurradeiras e a cantora Márcia Castro.
Além disso, o cantor arrasta a famosa Pipoca de Saulo nos carnavais de Salvador desde que deixou a Banda Eva, em 2013. A última aconteceu em 2020, ainda antes da pandemia e contou com intérprete de libras.
A atendente de telemarketing Elen Miranda, de 23 anos, é uma das foliãs que vão todo ano atrás da pipoca do cantor. ???Saulo é uma das melhores coisas no Carnaval de Salvador, eu não perco a Pipoca dele por nada, vou todos os dias, onde ele está, eu vou. Ele fazer esse show aqui é um presente enorme para a gente matar a saudade dele e do Carnaval???, disse Elen, que estava acompanhada do parceiro de festas, o primo Mateus Miranda.
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| Elen foi ao show acompanhada do primo Mateus (Foto: Carolina Cerqueira/CORREIO) |
O cantor testou positivo para covid-19 em janeiro deste ano. No dia 17, ele comunicou aos fãs através das redes sociais, lamentando ter sido infectado porque, por ser asmático, passou a pandemia tentando fugir da doença.
“Eu testei positivo e estou com esse vírus maldito no meu corpo, na medida do possível, estou bem! Sou asmático, fugi muito, me cuidei muito, fiquei louco, senti muito medo, profundo mesmo”, disse o cantor no começo do comunicado. Ele ainda disse que tomou as três doses da vacina, mas que, por conta do problema de saúde, tomaria quantas fossem necessárias para se proteger.




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