Manifestações ensaiam campanhas

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As manifestações do 1º de Maio nas principais capitais do país se transformaram ontem em atos de apoiadores aos dois principais pré-candidatos na corrida ao Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participaram dos eventos. Por meio de uma transmissão de vídeo, Bolsonaro falou a apoiadores na Avenida Paulista. ???Devo lealdade a todos vocês, temos um governo que acredita em Deus. Respeito e deve lealdade ao seu povo. Onde vocês estiverem, estarei sempre ao lado da população brasileira???, disse o presidente, que pela manhã caminhou entre manifestantes em Brasília, mas não discursou. Lula esteve na manifestação das centrais sindicais em São Paulo e voltou a criticar Bolsonaro dizendo que o presidente ???nunca se reuniu com dirigentes sindicais, nunca reuniu os governadores, nunca reuniu os prefeitos e nunca reuniu os movimentos sociais???. Apesar de convocados, os atos tiveram baixa adesão de apoiadores e também de opositores ao governo.
Os manifestantes a favor do presidente Jair Bolsonaro em todo o país discursaram em defesa da democracia e da liberdade e pregando respeito à Constituição. Em faixas e cartazes, exibiram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediram intervenção militar. Em Belo Horizonte, os bolsonaristas, vestindo verde e amarelo, se reuniram a partir das 9h na Praça da Liberdade. ???O STF é a instituição mais deplorável do Brasil. E aí, vão nos prender por crime de opinião também????, questionou um dos inúmeros cartazes no local. ???Agora em 2022: é Jair ou já era? PT nunca mais???, ironizou uma outra mensagem fixada próxima a uma grande bandeira do Brasil colocada no coreto da praça.
Com a presença de um carro de som bem em frente ao Palácio da Liberdade, o ato começou com a execução do Hino Nacional e com uma oração professada pela coronel da Polícia Militar, Cláudia Romualdo. “Nenhum presidente se sacrificou tanto, quase foi à morte em nome da liberdade e do bem-estar dos brasileiros. Por isso, pedimos hoje a bênção para nosso Jair Bolsonaro???, disse a militar, uma das organizadoras do evento. “?? uma festa linda, da democracia e da liberdade. Estou ajudando a todos na organização para que tenhamos essa festa. Estamos em apoio ao nosso presidente Bolsonaro, em apoio às diversas ações que ele tem feito pelo país???, acrescentou.
Vários grupos políticos de extrema-direita da capital presenciaram o ato, como a Confraria Conservadora, Nação Verde-Amarela, Conservadores em Ação, Mães da Direita, Guardiões da Infância e da Juventude, Direita BH, Mulheres Avante Brasil e Movimento Pró-Brasil. Em todos os discursos do ato, os participantes exigiram respeito à Constituição Federal, pediram a saída dos ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luiz Fux, e também defenderam o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado a oito anos e nove meses de prisão por tentativa de impedir o livre exercício dos poderes e ameaçar integrantes do próprio STF. Silveira foi indultado por Bolsonaro.

Brasília e São Paulo

Em Brasília, Bolsonaro fez uma rápida participação na manifestação do 1º de Maio, na Esplanada dos Ministérios ??? sem direito a discurso. Ele andou entre os manifestantes, posou para fotos e, logo depois, voltou ao Palácio do Planalto. Sem discursar, o presidente se dirigiu aos apoiadores por meio de uma rede social. ???Vim cumprimentar o pessoal que está aqui nessa manifestação pacífica em defesa da Constituição, da democracia e da liberdade. Então, parabéns a todos de Brasília, bem como de todo o Brasil que hoje estarão nas ruas. Estamos juntos, o Brasil é nosso, Deus, pátria e família???, afirmou.
Grande parte das pessoas presentes estava vestida de verde e amarelo. Ambulantes vendiam itens nas cores do Brasil e a própria bandeira, na qual muitos estavam enrolados. “Bolsonaro estava aqui, só não subiu por causa do período eleitoral. Passou no meio do povo. Ele nunca abandona o povo”, comentou uma manifestante que participou do ato em Brasília pela manhã.
Em São Paulo, o evento teve início às 14h, com os apoiadores do presidente vestidos de verde e amarelo e com bandeiras nacionais na Avenida Paulista. Uma das faixas do grupo pedia ???liberdade???. Nas ruas Peixoto Gomide e Pamplona, imagens do deputado Daniel Silveira foram colocadas em palcos e carros de som. Alguns cartazes defendiam o impeachment dos ministros do STF. Em um telão com problemas de áudio, Bolsonaro apareceu numa gravação em que fala sobre defesa da Constituição, falando sobre família e Deus. ???Agradeço ao criador pela minha vida e que alguns de vocês por terem acreditado e ter me ofertado essa missão em conduzir o destino do Brasil. O bem sempre vence o mal. Muito obrigado a todos vocês. Deus, pátria e família???.
 
 
O EM VIU

Agressões à imprensa

Um flagrante da reportagem do Estado de Minas na manhã de ontem mostrou dois organizadores da manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro (PL) arrastando o colchão de uma moradora em situação de rua que dormia no local (foto). O fato ocorreu pouco depois das 9h no coreto da Praça da Liberdade, onde eles penduravam cartazes e faixas com propagandas bolsonaristas, além de uma grande bandeira do Brasil. A mulher não se incomodou com a presença de pessoas no coreto e permaneceu dormindo. Em seguida, seu colchão foi puxado pelos manifestantes e colocado do outro lado do local. Depois que começou o ato a favor do presidente, com a presença de carro de som, a mulher não foi mais vista nos arredores da Praça da Liberdade. Em outro momento, a reportagem do Estado de Minas foi hostilizada e agredida por dois apoiadores de Jair Bolsonaro. O fato ocorreu quando participantes do movimento expulsaram uma mulher que se manifestou contra o presidente da República em meio à multidão, próximo ao carro de som. Os mesmos manifestantes tentaram impedir a reportagem de registrar a cena, colocando as mãos na frente das lentes. Alguns mais exaltados proferiram palavras de ameaça e intimidação, além de empurrar um dos jornalistas que participavam da cobertura do evento.

Daniel Silveira vai a ato em Niterói

Pivô do mais recente embate do presidente Jair Bolsonaro (PL) com o Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) participou na manhã de ontem de um ato bolsonarista em Niterói, na região metropolitana do Rio. Condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por ataques à democracia e por incitar violência física contra ministros da Corte, o parlamentar disse que ???a liberdade é mais importante que a vida???. ???A liberdade vale mais que a própria vida, um homem, uma mulher, sem liberdade não vivem, simplesmente existem???, afirmou. ???Vamos viver e colocar o Brasil na liberdade que o presidente tanto sonha. Não tem nada que preocupe mais o presidente do que livrar o Brasil do socialismo que vem avançando.???
Manifestações de apoiadores do presidente Bolsonaro neste Dia do Trabalhador têm como mote a defesa da “liberdade de expressão” e o apoio a Silveira, que recebeu o perdão do presidente no dia 21. Em Niterói, o ato ganhou contornos de campanha eleitoral. Silveira foi recebido aos gritos de ???senador!??? quando subiu no carro de som que acompanha a manifestação. Antes de o parlamentar chegar, o equipamento de som do trio elétrico tocou músicas de campanha exaltando Bolsonaro, inclusive paródias usadas nas eleições de 2018, com referência ao número 17, do PSL, partido pelo qual o presidente foi eleito.
Silveira, no entanto, continua impedido de disputar as eleições em outubro, segundo o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em despacho na semana passada, Moraes afirma que o decreto editado por Bolsonaro não alcança a inelegibilidade ligada à condenação criminal, prevista na Lei da Ficha Limpa, conforme entendimento pacificado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nas redes sociais, apoiadores de Bolsonaro chamaram para outra manifestação no Rio, na orla de Copacabana, zona sul da capital fluminense. Ao microfone do carro de som, Silveira se despediu dos manifestantes de Niterói, anunciando que iria a Copacabana e, mais tarde, ao ato marcado para São Paulo, na Avenida Paulista.

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