Governo cobra repasse da redução de impostos

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que o governo está realizando rodadas de conversas com representantes da indústria para cobrar o repasse da redução dos impostos ao consumidor. A afirmação foi feita durante a cerimônia de abertura da 36ª Edição da Apas Show. ???Estamos perguntando por que a redução dos impostos não está sendo repassada ao consumidor. Não adianta apenas reduzir (imposto). ?? preciso que isso chegue ao consumidor???, disse Guedes a uma plateia formada por líderes dos principais supermercados no país.

 

Nas últimas semanas, o governo está discutindo no Supremo Tribunal Federal (STF) a manutenção do Imposto sobre Produtos Industriais (IPI), que havia sido reduzido em 25% e posteriormente teve o corte ampliado para 35%, que depois foi suspenso pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Na quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro, que também participou da abertura da feira do setor supermercadista, assinou o Decreto 11.063, que regulamenta a lei que prevê a isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros PCD, utilizado por pessoas com deficiência. A partir de agora, já é possível fazer a solicitação junto à Receita Federal.

 

Guedes disse ainda que o governo deverá melhorar programas sociais e realizar novos investimentos em infraestrutura, mas também defendeu a geração de energia verde e a redução de encargos trabalhistas. Na fala de abertura do evento do setor supermercadista, o ministro destacou que o setor contribuiu para evitar o desabastecimento durante a pandemia. Além disso, Guedes destacou que o país tem um programa de renda básica com a implementação do Auxílio Brasil: ???Vamos melhorar os programas sociais, a rampa de ascensão social???.

 

Após a fala, o ministro criticou o volume de encargos trabalhistas no país, que seriam ???armas de destruição em massa de empregos???. Quanto aos investimentos, Guedes defendeu a venda de ativos do governo para alimentar um fundo de reconstrução nacional que seria usado para financiar obras públicas. Sem mencionar diretamente gestões anteriores ou candidatos à Presidência, Guedes afirmou ainda que, ???se eles querem desfazer todas as reformas que estamos fazendo, são os principais mentores da destruição de emprego???. Com a janela de oportunidade aberta com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, na avaliação do ministro, o Brasil está sendo percebido pelos Estados Unidos e países da Europa como um porto de atração de investimentos.

 

 

Preço do trigo dispara

 

Mariana Costa

 

A cotação do trigo, que já vinha em alta desde o começo da guerra na Ucrânia, voltou a bater recorde ontem no mercado europeu, após o anúncio da Índia de suspender suas exportações do grão. A tonelada de trigo para panificação fechou hoje em 438,25 euros no Euronext, um recorde absoluto para o grão, que já estava sendo negociado a preço de ouro no mercado mundial. ???Este é um recorde absoluto para todos os vencimentos do Euronext. O recorde anterior remonta a 7 de março de 2022, quando o trigo fechou em 422,50 euros por tonelada???, disse à AFP Damien Vercambre, corretor da Inter-Courtage.

 

A Índia, o segundo maior produtor mundial de trigo, proibiu no sábado a exportação do grão, a menos que haja uma autorização especial do governo. A decisão foi adotada no momento em que o país vive uma queda de produção devido a ondas de calor extremo. Nova Délhi, que havia se comprometido anteriormente a fornecer trigo aos países frágeis dependentes das exportações da Ucrânia, alegou que a decisão tem como objetivo garantir a “segurança alimentar” de seus 1,4 bilhão de habitantes.

 

Também no sábado, os ministros da Agricultura do G7 afirmaram que a suspensão das exportações de trigo indianas “agravariam a crise” de abastecimento mundial de cereais provocada pela guerra da Ucrânia. Agora, ???os mercados reagem com mais força, pois o embargo da Índia a suas exportações de trigo contradiz suas promessas anteriores sobre o fornecimento mundial???, destaca Gautier Le Molgat, analista da consultoria agrícola Agritel. O preço do trigo aumentou 40% desde o início da guerra e segue alto devido aos riscos de seca nos Estados Unidos e na Europa Ocidental.

 

Cautela Para o presidente do Sindicato e Associação Panificação e Confeitaria de Minas Gerais (Amipão), Vinicius Dantas, a decisão é preocupante para o mercado brasileiro. ???Quem importa da Índia vai passar a importar de outro mercado e, consequentemente, traz uma alta de preços para o Brasil. Nós somos hoje importadores da Argentina, além de Estados Unidos e Canadá. Mas grande parte do trigo que entra no Brasil vem da Argentina.???

 

Dantas lembra que o país está no período de entressafra. ???Só teremos trigo brasileiro a partir de setembro e outubro.??? Além disso, tem a guerra entre Rússia e Ucrânia, dois dos maiores produtores do grão no mundo. ???Acredito que não se consegue baixar o preço do trigo. Ele se estabiliza no patamar em que está porque houve uma queda de venda.???

 

O presidente da Amipão acredita que o momento é de cautela. ???Para o setor da panificação, o momento é de gestão. Esse conflito (no Leste Europeu) mexeu muito com a panificação. Tivemos um início de repasse, precisamos alinhar para garantir um preço possível para o consumidor, já que o salário não está subindo nos patamares de aumento da matéria -rima. Precisamos achar um equilíbrio.???

 

Dantas ressalta que além do trigo, para fabricação do pão existem ainda custos com locação, energia elétrica, pagamento de funcionários. ???O percentual de 15% a 20% do custo do pão é trigo. Precisamos administrar e tentar segurar um pouco esse repasse porque ele pode ser perigoso para o setor.??? Ele destaca que existem outras indústrias que concorrem com a da panificação, como a do biscoito, por exemplo. ???Em uma mudança de hábito do consumidor por uma questão de preço, pode afetar o segmento.???

 

Gasolina cai em BH, o diesel não

 

Vinícius Prates*

 

O preço médio da gasolina iniciou o mês de maio com redução de 0,83% em Belo Horizonte e região metropolitana, em comparação aos preços do último dia de abril, isto é, num intervalo de 15 dias. Levantamento feito pelo Mercado Mineiro e pelo aplicativo ComOferta mostra que os preços tiveram uma leve queda, com exceção do diesel. Ao todo, foram consultados os preços em 176 postos da capital mineira, entre os dias 11 a 15 de maio. Segundo a pesquisa, com a queda no valor da gasolina comum, o litro do combustível pode ser encontrado até por R$ 7,79. Entre os postos de Belo Horizonte, o menor preço encontrado da gasolina comum foi R$ 7,38, variação de 5,56% em comparação ao maior valor. De janeiro de 2021 a maio de 2022, o preço médio da gasolina subiu 62%, equivalente a R$ 2,89. O preço médio, que era R$ 4,65, subiu para R$ 7,54.

 

No caso do diesel, o preço médio do litro subiu 4,28% nos últimos 15 dias, passando de R$ 6,73 para R$ 7,02. De janeiro de 2021 a maio deste ano, o preço médio do diesel S10 subiu 82%, isto é, R$ 3,17. O preço médio era R$ 3,85 e foi para R$ 7,02, isto é, 74,90%. Durante a pesquisa, o menor preço por litro do diesel encontrado foi de R$ 6,69 e o maior R$ 7,39, uma variação de 10,46%.

 

De acordo com o levantamento, para os usuários de etanol o cenário é ainda mais positivo com relação à queda que o combustível teve nos últimos dias. O menor preço encontrado entre os postos pesquisados foi de R$ 5,28 e o maior valor de R$ 5,99 ??? diferença de 13% entre um estabelecimento e outro. Também em comparação a 30 de abril, o etanol teve uma queda de 3,86% no preço médio, ou seja, R$ 0,22 por litro. De janeiro de 2021 a maio de 2022, o preço médio do etanol subiu 73,41%. O valor, que era R$ 3,21, foi para R$ 5,57, aumento de R$ 2,36.

 

De acordo com  o economista Feliciano Abreu, coordenador do Mercado Mineiro e aplicativo ComOferta, no momento atual o etanol não é viável para o bolso do consumidor quando comparado aos preços médios, correspondendo a 74% do preço médio da gasolina comum. ???Com o etanol a preço médio de R$ 5,57, nós temos 74% do valor da gasolina, que é R$ 7,54. Então o consumidor tem que avaliar se é vantajoso para ele ou não nesse momento???, destaca o economista.

 

* Estagiário sob supervisão do  subeditor Marcílio de Moraes 

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