Em noite de protestos contra Mânica, defesa do réu não vê fato novo no júri

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O julgamento do ex-prefeito de Unaí e proprietário rural Antério Mânica, no Tribunal do Júri da Justiça Federal, em Belo Horizonte é acompanhado de perto por auditores fiscais de vários estados do Brasil. Eles mantêm vigília na porta da Justiça Federal e aguardam a condenação do réu, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como um dos mandantes do que ficou conhecido como a Chacina de Unaí, em 2004.

 

Representantes do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), relataram à imprensa que a dor e a indignação não tem fim, pois passados quase 20 anos da chacina até então nenhum mandante foi preso. Antério Mânica havia sido condenado a 100 anos de prisão em 2018, mas a Justiça Federal anulou o julgamento por falta de provas. O crime aconteceu em 28 de janeiro de 2004 nas proximidades da cidade mineira, quando três fiscais do trabalho e o motorista do Ministério do Trabalho que os conduzia foram assassinados em uma emboscada.

 

A defesa de Antério, condenado em outubro de 2015 pelo Tribunal do Júri da Justiça Federal de Minas Gerais, argumentou que o MPF não conseguiu provar a participação do político no crime, sustentou que houve erros na condução do julgamento.

 

Diante do tribunal nesta terça-feira (24/5), o ex-delegado de Polícia Civil Wagner Pinto de Souza confirmou uma das principais provas que ligam o fazendeiro Antério Mânica à Chacina de Unaí. Ele sustentou que um veículo igual ao da mulher do réu foi visto no local onde estavam os executores dos assassinatos e os intermediários do crime.

 

As procuradoras de acusação praticamente dissecaram as provas do processo para demonstrar a participação do ex-prefeito de Unaí no crime. Em seu depoimento, que durou cerca de duas horas, o ex-delegado apontou o irmão de Antério, Norberto Mânica, como autor intelectual do crime.

 

O advogado criminalista e assistente de acusação contratado para o julgamento da chacina de Unaí, Roberto Tardelli, se mostrou confiante de que o resultado será o mesmo de 2015. Tardelli, que atuou também no caso Richthofen, lamentou a dificuldade de se condenar mandantes de crimes como o da chacina de Unaí.

 

“Todo julgamento que envolve o mandante sempre é difícil. Ele tem o poder econômico. Consegue andar na sombra, por isso contrata alguém para fazer o serviço sujo”, avaliou.

 

Já o advogado de defesa de Antério Mânica, Marcelo Leonardo, ressaltou que em nenhum momento neste júri foi apresentado fato novo contra seu cliente.

 

“Esse crime foi bárbaro, seríssimo, repugnante as pessoas responsáveis já foram processadas, julgadas e condenadas. Está sendo julgado agora, pela segunda vez, o senhor Antério Mânica porque o Tribunal Regional Federal entendeu que não tinha provas contra ele e a decisão anterior não podia permanecer. Até agora, não se fez nenhuma prova nova a justificar uma mudança no entendimento do TRF, pois não se demonstrou nenhum envolvimento concreto de Antério nos fatos”, ressaltou.

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