Projeto no Senado esvazia Justiça Eleitoral, diz presidente do TSE

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, alertou hoje (26) que há risco de ???esvaziamento??? da Justiça Eleitoral na ampla reforma das legislações partidária e eleitoral que tramita no Senado. ebcebc

A observação consta em ofício enviado hoje ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). No documento de 10 páginas, o ministro aponta quatro pontos que considera mais problemáticos no texto atual do projeto de lei. 

???Sustenta-se, com o devido respeito, que a redação atual da proposta legislativa encerra comprometimento insofismável das competências da Justiça Eleitoral, que desafiam exame verticalizado sobre a possibilidade de fragilização da segurança jurídica e de eventual esvaziamento material das atribuições dessa Justiça Especializada???, escreveu Fachin.

Entre os pontos problemáticos destacados por Fachin estão o artigo que prevê a possibilidade de revogação de resoluções do TSE pelo Congresso; o dispositivo que altera os processos de prestação de contas, retirando do TSE e transferindo para empresas privadas de consultoria a análise de documentos.

Outra problema indicado pelo ministro é que a proposta em tramitação não prevê um intervalo entre a publicação no Diário Oficial da União e a entrada em vigor do novo Código Eleitoral, o chamado vacatio legis. Sem esse tempo, não é possível garantir a segurança jurídica das Eleições 2022, afirmou o presidente do TSE.

Para aplicar o novo Código Eleitoral, com seus 898 artigos, será preciso um amplo estudo dos impactos sobre todas as outras normas eleitorais, argumentou Fachin. Não há tempo hábil para concluir a tarefa antes das eleições de outubro, acrescentou o ministro.

O presidente do TSE destacou também que o calendário eleitoral está em curso, e que a Constituição traz instrumentos para impedir mudanças de regra com o jogo eleitoral já em andamento. Fachin pediu que as eventuais modificações legislativas só entrem em vigor, no mínimo, a partir de 2023.

???A  Justiça  Eleitoral afirma, incansavelmente, que o conhecimento prévio das regras do jogo eleitoral, e a manutenção desse regramento durante todo o processo eleitoral, é uma garantia a todos os atores políticos e a toda a sociedade brasileira???, disse o ministro. 

Com mais de 400 páginas, o projeto de lei em tramitação no Senado já foi aprovado pela Câmara e propõe uma ampla reforma nas leis partidárias e eleitorais. Além do Código Eleitoral, a proposta mexe em outras leis, como a que trata de inelegibilidade.

Comentários do Facebook

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Diesel tem alta de 20,4% desde o início da guerra e chega a R$ 7,26, diz ANP

Resumo rápido: os preços de combustíveis no Brasil sobem pela terceira semana seguida, pressionados pela crise energética global provocada pelo conflito no Oriente...

Primeiro afoxé femino do Brasil, Filhas de Gandhy pode se tornar Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador

Resumo: um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Salvador pode transformar o Afoxé Filhas de Gandhy em Patrimônio Cultural Imaterial do...

Caso Tainara: Lula encontra mãe de mulher arrastada na Marginal Tietê

Resumo: O presidente Lula reuniu-se em São Paulo com Lúcia Aparecida da Silva, mãe de Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio que ocorreu...