Bolsonaro ganhou batalha do ICMS contra governadores

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Os governadores perderam – e feio – a batalha discursiva sobre a incidência do ICMS sobre combustíveis. Após muita insistência, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu, via Congresso Nacional, obrigar os governos a reduzirem a alíquota sobre o diesel e a gasolina e o resultado rapidamente apareceu nas bombas. O valor pago pelo consumidor baixou, mas reduzir o ICMS está longe de ser a solução para os problemas dos combustíveis.

 

Caso o preço do barril de petróleo se conserve no atual patamar no mercado internacional, a estratégia de Bolsonaro será altamente contemplada. Porém a volatilidade do fornecimento, em meio a uma perspectiva não tão boa quanto à duração da guerra da Ucrânia, não permite manter a visão otimista de que não sofreremos com novos reajustes nos próximos meses. O governo federal aposta nisso e na possibilidade de controle de preços feito pela Petrobras. Até a eleição, é provável que haja sucesso nisso. Só que o buraco do ICMS é bem mais embaixo.

 

O Estado brasileiro é caro e pouco eficiente. O valor pago em impostos é inversamente proporcional à qualidade do serviço prestado na imensa maioria dos casos. Isso gera um grau de insatisfação enorme na população, o que justifica as reações exageradas quando há reduções artificiais em impostos, como foi o caso do fatídico vídeo do carro banhado de gasolina que viralizou na última semana. O governo federal diminuiu a arrecadação alheia e vai ficar com todo o bônus – culpa dos governadores, que erraram de estratégia.

 

Ao invés de apresentarem os impactos na queda da arrecadação nos estados e municípios, os governadores partiram para o embate direto com Bolsonaro. O presidente e a relação com o eleitor construída por ele deveria ter mantido os chefes de Executivo estaduais mais comedidos. O personagem sem filtro, avatar cujas bases foram firmadas muito antes de 2018, parece bem mais autêntico do que a pompa do “vamos perder bilhões para saúde e educação” sem evidenciar quais cortes deverão ser feitos e as consequências disso.

 

O real problema da redução do ICMS não é ela em si. ?? o fato de a proposta esconder a poeira embaixo do tapete enquanto o país não discute uma redistribuição tributária. O ICMS é a principal fonte de arrecadação dos estados. O governo federal, além de concentrar os impostos, corta a receita dos estados. Em uma analogia familiar, é como se o avô/ a avó que tem muito dinheiro, ao invés de ajudar na mesada do neto, obrigasse o pai/ a mãe a dar o reajuste, mesmo que esteja com o cinto arrochado. Cobre a cabeça, mas descobre os pés.

 

?? preciso ter maturidade para entender que a medida não foi correta, pois só empurra o problema para outrem. E é preciso ter a mesma maturidade para entender que Bolsonaro ganhou de lavada essa disputa narrativa contra os governadores. Cabe a eles agora chorarem pitangas, ao tempo que reorganizam os orçamentos para lidar com as receitas que não serão mais realizadas. A nós, brasileiros, cabe torcer para que os serviços públicos não piorem ainda mais.

Comentários do Facebook

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Câmara aprova projeto que aumenta teor mínimo de cacau no chocolate e proposta segue para o Senado

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, dia 17, um projeto de lei que estabelece percentuais mínimos de cacau na composição de chocolates...

Defesa de Bolsonaro aposta em “clima no STF” para prisão domiciliar

Jair Bolsonaro está hospitalizado após um episódio de broncopneumonia causada por aspiração, e integrantes da sua defesa avaliam que o clima entre os...

Ex-noiva de Vorcaro, que teve conversas íntimas expostas, nega ter recebido dinheiro ou imóveis do banqueiro

A ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, Martha Graeff, será ouvida pela CPMI do INSS na próxima segunda-feira, 23, em meio a investigações sobre...