Delegada alerta sobre casos de crimes sexuais: ???São subnotificados???

Escrito por: Diógenes Cunha

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O caso do médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, de 32 anos, preso em flagrante e indiciado por estupro de vulnerável após ser gravado estuprando uma mulher durante uma cesárea em um hospital público do Rio de Janeiro, chocou o Brasil e gerou repercussão neste mês. Apesar do horror, a delegada Silmara Marcelino, que chefia a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Suzano, afirma que esse é apenas um de milhares de outros casos deste crime que, ao contrário, não chegam ao conhecimento da polícia. Em entrevista à Jovem Pan, ela explicou que os crimes sexuais, no geral, são subnotificados, ou seja, ocorrem, mas não há o registro de Boletim de Ocorrência (B.O). Segundo Marcelino, as vítimas, na maior parte, se sentem constrangidas e culpadas. O crime cometido por Bezerra só foi descoberto porque na madrugada do dia 11 de julho, enfermeiras de um hospital, localizado na Baixada Fluminense, resolveram gravá-lo, com uma câmera escondida, durante o trabalho. As profissionais estavam desconfiadas de seu comportamento, como o excesso de sedativo aplicado e o posicionamento perto do rosto das pacientes. Nas imagens, o anestesista coloca o pênis na boca da paciente, sedada por ele, durante uma cesariana. Diante do crime, a Polícia Civil foi acionada e determinou sua prisão em flagrante. O profissional foi indiciado por estupro de vulnerável. A pena, neste tipo de crime, é de oito a 14 anos.

Para Silmara Marcelino, este tipo de crime não é comum. A delegada explica que os crimes sexuais são subnotificados devido aos danos causados nas mulheres. ???Apenas uma parte dos fatos são registrados. Um dos fatores seria o fato destes crimes afetarem intimamente as vítimas. Elas se sentem constrangidas e às vezes se sentem culpadas.  A sociedade ainda é machista e algumas vítimas têm medo da compreensão da sociedade???. Por outro lado, a policial reforça quais cuidados as vítimas devem ter em casos suspeitos como do médico anestesista. ????? difícil dizer uma forma de evitar, pois no momento de uma cirurgia a paciente está vulnerável em razão, justamente, da anestesia. Quando possível é importante que permaneça com acompanhamento, mas sabemos que nem sempre é possível???, comenta. Além disso, ela afirma que geralmente não é possível traçar um perfil ou identificar um estuprador antes do crime acontecer. Mas ela dá dicas importantes para as mulheres ficarem atentas.  ?????s vezes a pessoa simula um perfil, de bom profissional, de pessoa atenciosa etc. Precisamos estar observando tudo em volta, qual contato físico desnecessário ou exagerado pelo profissional. Elogios ou cantadas podem ser um sinal para ficarmos atentos???, diz. Casos de crimes sexuais podem ser denunciados tanto nas delegacias da Mulher, como também nas delegacias comuns e no disque denúncia 180.

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