Por Cristal e por todos: caminhada pede segurança no centro após morte de adolescente

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A área do Palácio da Aclamação e do Passeio Público, próxima ao Campo Grande, amanheceu movimentada pelo segundo dia consecutivo. Nesta quarta-feira (3), ao invés das viaturas que ocupavam o espaço por conta do assassinato de Cristal Pacheco, de 15 anos, em uma tentativa de assalto, a região se encheu de pessoas que protestaram por segurança no local onde a adolescente foi morta. 

Ainda sob muita comoção pelo adeus precoce da jovem, familiares, amigos e estudantes caminharam pelas ruas. No meio do movimento, muitos estudantes de farda porque o Colégio das Mercês, onde Cristal estudava, suspendeu as aulas nesta quarta-feira e decretou três dias de luto.

Aos prantos no protesto, Larissa Biazzi, 17, falou da dor de perder a amiga e do temor de perder mais pessoas da mesma forma. “A gente vive com medo todo dia, sai de casa olhando para o lado e correndo de roubo, da violência. Eu tô aqui, mas amanhã não sei se minhas amigas vão estar vivas. ?? perigo em todos os lugares e ninguém faz nada. A polícia que está aqui hoje não vai estar semana que vem”, afirma Larissa, muito emocionada.

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Larissa abraça as amigas e fala do medo da violência
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

As centenas de pessoas que se reuniram em protesto interromperam o trânsito, saíram do ponto onde Cristal foi assassinada e caminham em direção ao Campo Grande gritando palavras de ordem como “Justiça por Cristal” e “Prendam antes que aconteça”.  Apesar da interrupção das vias, a caminhada segue sem confusão e com apoio da Transalvador.

Amigo da família que foi responsável por liberar o corpo da adolescente no Instituto Médico Legal (IML), Fábio Nascimento Rodrigues de Oliveira, 54,  afirmou que o protesto foi feito por Cristal e por todos.

“?? por quem partiu, mas também por quem permanece. O objetivo aqui é pedir por segurança e não que a PM esteja aqui só hoje. […] Queremos que as autoridades olhem mais para os nossos filhos e nos deem a tranquilidade de ver eles saírem de casa e saber que vão voltar”, reclama o eletricista naval.

O motorista de ônibus Luiz Cláudio Carvalho, 48, é pai de outra colega de Cristal e compareceu ao protesto no lugar da filha porque ela não teve condições de comparecer. Ele contou que saiu do Subúrbio cedo para isso. “O sofrimento dessa família é o meu sofrimento. Mais quantas cristais vamos ter que perder? A polícia está fazendo seu trabalho, mas está enxugando gelo. Prende a pessoa hoje e amanhã ela está aí fazendo o mesmo ato”, reclamou.

“Queremos segurança e justiça. ?? uma sociedade em peso clamando por Cristal. Várias famílias estão sendo dilaceradas e destruídas”, lamentou o rodoviário.

Jucimar Gomes, 53, mãe de uma amiga de Cristal, contou que a filha nem quer voltar à escola. Segundo ela, os estudantes de escolas particulares são alvos dos crimes da região.

“Ao ver com a camisa da escola particular, eles vão para cima, presumem que tem algo valioso. Minha filha nem quer mais estudar na escola, mas a escola é boa, o problema é o trajeto”, disse.

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