Dedê explica função no Borussia e lembra passagem ‘meteórica’ pelo Atlético

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Ídolo do Borussia Dortmund e revelado pelo Atlético, o ex-lateral-esquerdo Dedê explicou a função que exerce no clube alemão e relembrou a passagem meteórica pelo Galo. Em participação no podcast Por Onde Anda?, do Superesportes, o ex-jogador de 44 anos falou sobre a atual rotina em Herdecke, na Alemanha, onde vive com a esposa e a filha.

Dedê mora no país europeu desde 1998, quando foi contratado pelo Dortmund. Durante esses 24 anos, ele só se mudou entre 2011 e 2014 para atuar pelo Eskisehirspor, da Turquia. Após se aposentar, também passou a visitar mais frequentemente Belo Horizonte, sua cidade natal. 
 
O ex-lateral ressalta que não tem um contrato fixo com o Borussia, mas participa de eventos quando é acionado, principalmente em jogos que envolvem ídolos do clube.

Além disso, mantém uma ótima relação com a diretoria e participa, eventualmente, de contratações de atletas brasileiros, como Reinier, ex-Flamengo e atualmente no Girona, da Espanha, emprestado pelo Real Madrid. 

 
“Pelo Borussia estou sempre ativo. Vai abrir uma loja de Legends, e eu estou sempre participando, representando o Borussia quando eles me ligam. Mas não tenho nada fixo, nenhum contrato. Tenho as portas abertas, mas foi até uma opção minha. Não tinha intenção de trabalhar com categoria de base. Quero viver livre. Falei com eles, sempre que eu puder representar e for somar, tudo bem”, explicou Dedê. 
 

Quadras em BH e projeto de escolinha do Borussia

 
Dedê também é dono de algumas quadras em Belo Horizonte, Santa Luzia e Betim, que são majoritariamente administradas pelos irmãos e também ex-jogadores do Atlético, Léo de Deus, Cacá e Levi. Segundo o ex-lateral, os projetos surgiram sem uma ideia prévia. 
 
“Isso caiu de paraquedas. Criado na rua, jogando bola no asfalto o tempo todo. Comprei um terreno na orla da Lagoa (da Pampulha) muitos anos atrás, e era um clube. Tinha uma quadrinha lá, fomos fazendo outras. Agora, há três quadras sintéticas lá. A gente aluga o espaço para competições e peladas”, afirmou.
 
Dedê ainda estuda participar de um projeto de escolinhas do Borussia Dortmund no Brasil. Ele já fez campanhas em Belo Horizonte, com uniformes cedidos a crianças, mas tem dúvidas se assumirá um compromisso mais fixo. 
 
“O Borussia quer muito abrir uma escolinha no Brasil, só que querem que eu seja o responsável, e eu não consigo ficar preso. Para eles cederem o nome, não querem (sem mim). Fui honesto, antigamente eu não tinha esse tempo. Mas estamos estudando a melhor maneira de criar uma parceria, que só depende de mim. O Borussia já aprovou. Mas não quero fazer nada que desaponte o pai, uma coisa mentirosa”, explicou o ex-jogador, que ainda ressaltou a importância da eventual escolinha ser inaugurada em Belo Horizonte. 
 
“Seria em São Paulo, mas falei com eles que minha vida é em Belo Horizonte. Não troco por nenhuma outra cidade. Eles podem abrir uma escola grande em Belo Horizonte, com a minha representação, estamos estudando para o ano que vem”, finalizou.
 

Dedê no Atlético: clube da infância e primeiras oportunidades

 
Dedê chegou às categorias de base do Atlético com apenas 10 anos. Para ele, foi uma realização de um sonho defender o clube do coração na infância. 

 
“Foi a vontade de um dia entrar no Mineirão, não foi a vontade de ganhar dinheiro, mas de jogar no profissional pelo Atlético, de ver a torcida gritar o meu nome. Sou atleticano, não precisa nem falar. Já pulei o Mineirão em um jogo três vezes, a polícia me colocou para fora. Dava volta, carteirinha nato, pegava um tropeiro”, contou.
 
O então lateral-esquerdo recebeu as primeiras oportunidades no profissional em 1996. Aos 17 anos, ele teve a responsabilidade de substituir, provisoriamente, o titular e ídolo do clube, Paulo Roberto Prestes. 
 
“Foi com o Procópio (Cardoso, técnico), eu lembro até hoje. O Atlético foi para o Japão, fazer uma turnê lá, e tinha o Campeonato Mineiro. Era Atlético x Villa Nova. O (Antônio) Lacerda ficou como treinador do time reserva e me colocou para treinar naquelas duas semanas. Iria jogar outro, porque eu tinha 17 anos, era bem franzino”, disse. 
 
“Nos treinamentos, o Lacerda apostou em mim e me colocou para jogar. Eu lembro que foi o jogo da minha vida no Independência. Foi o melhor momento da minha vida, sem palavras, ver o seu sonho realizado. Quando o profissional voltou, acho que o Paulo Roberto Prestes estava machucado. O profissional voltou, e eu joguei”, completou. 
 
 

Os títulos em 1997: Copa Centenário e Conmebol

 
Dedê conquistou a titularidade no ano seguinte, em 1997, após a saída de Prestes para o Internacional. Ele acredita que o desempenho na Copa Centenário de Belo Horizonte foi essencial para seu desenvolvimento no clube. Na ocasião, o Atlético conquistou o torneio internacional que também contava com América, Cruzeiro, Corinthians, Flamengo, Olimpia-PAR, Milan-ITA e Benfica-POR. 
 
“Foi o (clássico) mais marcante (final contra o Cruzeiro). O jogo que me marcou, onde a torcida do Atlético me conheceu, foi contra o Milan. Minha perna estava tremendo. (…) Foi o melhor jogo que fiz na minha carreira, ou então um dos melhores. Ganhamos aquele jogo, contra o Maldini. A Centenário foi um campeonato muito importante, a final, o clássico. Atlético x Cruzeiro não é um clássico, é título”, recordou.
 
Outra competição vencida pelo Atlético naquele ano foi a Copa Conmebol. O Alvinegro foi campeão do torneio continental de forma invicta. Na final, o time mineiro bateu o Lanús por 4 a 1 na Argentina, no jogo de ida que ficou marcado por uma pancadaria generalizada. 
 
“Eu não imaginei que iria ser desta maneira. Quando o juiz apitou não teve nem conversa. Você não sabia se ajudava, brigava ou corria. Sou acostumado, morei em favela, vai apanhar um, apanha todo mundo. Mas no caso todo mundo apanhou (risos)”, relembrou Dedê.
 
Na volta, o Galo empatou em 1 a 1 com os argentinos e levantou a taça do torneio no Mineirão. Titular em ambas as partidas, Dedê lembra a emoção que sentiu após o apito final. 
 
“Quando fomos para o Mineirão, poderíamos perder até de 3 a 0. Foi uma alegria quando o juiz apitou. (…) A gente já se dava como campeão, com respeito, mas quando apitou eu não sabia para onde correr, para qual lado. O Mineirão era nosso. Eu tenho vídeos até hoje, é a mesma alegria que o torcedor comemorou o título do Brasileiro no ano passado”, disse.
 

Destaque no Brasileiro e saída para o Dortmund

 
O ano de 1997 foi marcante para Dedê no Atlético. Além dos títulos citados, ele foi eleito o melhor lateral-esquerdo do Campeonato Brasileiro no Bola de Prata, prêmio da Revista Placar. O ex-jogador acredita que o bom desempenho se deu muito pela parceria com Marques e o esquema tático do técnico Emerson Leão. 
 
“Eu peguei um time que todo mundo estava querendo mostrar o bom futebol, talvez ir para outro time. Esse entrosamento com o Marques, o sistema que o Leão formou, dando liberdade para mim, apesar de eu também gostar de marcar. A dobradinha com o Marques… Quando tudo dá certo, foi um meteoro. Sempre na humildade, respeitando meu adversário, mas tinha vontade, o que foi sempre meu diferencial”, explicou.
 
Apesar das boas atuações de Dedê, o Atlético foi eliminado na segunda fase, quando ficou em último lugar do Grupo B, em que o classificado à final foi o líder Palmeiras. 
 
Com destaque no futebol brasileiro, o ex-jogador acertou sua transferência para o Bayer Leverkusen, mas não chegou a defender o clube alemão. Isso porque, na época, o empresário uruguaio Juan Figer ofereceu Zé Roberto pelo mesmo valor, e o time descartou a chegada de Dedê.
 
“O Leverkusen, logo em novembro, aquela negociação. Em janeiro viajei, praticamente escondido, para Leverkusen. Fiz exame médico e assinei um pré-contrato. Eles pagaram cerca de US$ 6 milhões na época, era muito dinheiro. Deram ao Atlético US$ 500 mil. Pagaram professor de alemão para eu aprender e ir no meio do ano. Já tinham alguns brasileiros lá”, explicou.
 
“Estive na Alemanha e voltei, fiquei no Brasil. Quando foi em abril, o Leverkusen desiste. Perde US$ 300 mil e contrata o Zé Roberto. O Juan Figer, empresário, ofereceu ao Leverkusen. ‘Vocês vão levar o Dedê, um moleque? O cara fez só 1997 bem no Atlético, sabe como vai ser o ano que vem? Olha o Zé Roberto, arrebentou na Portuguesa, já está há um ano na Europa (estava no Flamengo, mas havia atuado pelo Real Madrid em 1997), vai para a Copa do Mundo daqui três meses, e os mesmos US$ 6 milhões’. Eu, com toda a humildade, levaria o Zé Roberto também. O Leverkusen não perdeu tempo e levou o Zé Roberto, graças a Deus”, recordou.
 
Sem acordo com o Leverkusen, Dedê acertou sua ida em definitivo para o Borussia Dortmund, clube que defendeu por 13 anos, entre 1998 e 2011. Um dos maiores ídolos da história, ele conquistou dois Campeonatos Alemães (2002 e 2011) antes de deixar a Alemanha em 2011 para defender o Eskisehirspor até 2014, ano em que se aposentou. 
 
 

Por Onde Anda? 

 
O Por Onde Anda? é um quadro quinzenal publicado no Superesportes e no YouTube do Portal UAI. Nele, são entrevistados ex-jogadores e ex-técnicos de América, Atlético e Cruzeiro que estão aposentados ou em mercados alternativos do mundo da bola. 
 
Revelado pelo Atlético, Dedê disputou 92 jogos e marcou três gols com a camisa alvinegra entre 1996 e 1998. Na entrevista, ele ainda contou histórias com ídolos do Galo, explicou por que não voltou a defender o alvinegro, além de bastidores pelo Dortmund e a idolatria na Alemanha. Veja, no vídeo abaixo, a conversa na íntegra:

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