Sem mostrar provas, Damares diz que ouviu denúncias sobre estupro de crianças ‘na rua’

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A atual senadora e ex-ministra do governo Bolsonaro Damares Alves diz ter ouvido relatos sobre estupro e tráfico de crianças no Marajó “nas ruas”.

Ela havia dito em discurso em uma igreja evangélica que crianças do Marajó são traficadas para o exterior e submetidas a mutilações corporais e a regimes alimentares que facilitam abusos sexuais. Dentre as alegações, Damares disse também que no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) há imagens de crianças de 8 dias de vida sendo estupradas e que um vídeo de estupro de crianças é vendido por preços entre R$ 50 e R$ 100 mil.

Durante uma entrevista à rádio Bandeirantes de São Paulo, nesta quinta-feira (13), porém, ela não apresentou provas das denúncias. O Ministério Público Federal do Pará deu um prazo de 3 dias para a senadora detalhar as denúncias na última terça.

“Isso tudo é falado nas ruas do Marajó, nas ruas da fronteira, no começo do meu vídeo eu falo Marajó porque é onde a gente começou um programa, mas o tráfico de crianças no Brasil acontece na fronteira. (…) Em áreas de fronteiras a gente ouve coisas absurdas como o tráfico de mulheres e de crianças. Essa coisa de quando as crianças saem dopadas e seus dentinhos são arrancados aonde chegam (…)”.

O que diz o MPF

Sobre o assunto, o MPF divulgou uma nota afirmando que “nos últimos 30 anos, nenhuma denúncia ao MPF sobre tráfico de crianças no Marajó mencionou torturas citadas por Damares”.

O órgão informou ainda que não recebeu respostas do MMFDH sobre as declarações de Damares, e que providências teriam sido tomadas. Um ofício foi enviado à atual secretária executiva do MMFDH, Tatiana Barbosa de Alvarenga.

“O MPF atuou, de 2006 a 2015, em três inquéritos civis e um inquérito policial instaurados a partir de denúncias sobre supostos casos de tráfico internacional de crianças que teriam ocorrido desde 1992 no arquipélago do Marajó. Nenhuma das denúncias mencionou nada semelhante às torturas citadas pela ex-ministra Damares Alves no último dia 8”, afirma em nota.

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