Como a eleição presidencial invadiu as escolas e transformou crianças em ‘eleitoras’

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???Você sabia que eu voto em Lula????. ???Eu sou Bolsonaro. Lá em casa, todo mundo é Bolsonaro???. ???Estou ansiosa para ver Bolsonaro ir para a cadeia???. ???Lula que é ladrão, ele é mau???. Todas essas frases poderiam ser escutadas nos mais diferentes contextos – numa roda de amigos com diferentes pensamentos políticos, entre a família, no intervalo de uma reunião de trabalho ou até numa mesa de bar com alguns mais exaltados. 

Mas os enunciados não vieram de adultos; não vieram nem mesmo de pessoas que estão aptas a votar nas eleições deste ano – o que exclui adolescentes a partir dos 16 anos. Cada uma foi dita por crianças baianas de diferentes idades, na escola. A conversa parte delas, segundo relatos dos próprios pequenos, de educadores ou da família. 

Nem é só no ambiente escolar – em casa, entre os coleguinhas ou com os vizinhos no condomínio, as eleições passaram a fazer parte do vocabulário das crianças. Com clima de torcida, muitas adotaram um dos lados como seu e, assim, têm provocado um debate sobre como escolas e famílias devem abordar o tema. 

???A gente tem informação de casos que vêm acontecendo em escolas de educação infantil ou de ensino fundamental I, portanto, de crianças???, diz o coordenador geral do Sindicato dos Professores da Bahia (Sinpro), que representa os trabalhadores de escolas da rede privada, Allysson Mustafá. 

As discussões acontecem a partir da forma como eles se comunicam. ???Tem o olhar deles sobre a questão, que é muito dependente das famílias, do universo próximo, e obviamente isso é modulado à idade e à maturidade que cada um tem. ?? uma percepção geral de que muitos trazem algo daquilo que vivenciam em casa ou em seu ambiente mais próximo???, acrescenta. 

A percepção de especialistas é de que há um contexto que tem tornado todo esse interesse possível. Além de ver os adultos mais inflamados na defesa de um candidato ou outro, de forma geral, as crianças têm mais acesso à informação, na avaliação da educadora parental Larissa Machado, mestre em Psicologia Educacional. ???Eles participam muito mais das rodas de discussão familiares. A inserção da criança no universo adulto está muito forte???. 

As mais crescidas, além de meios de comunicação como a televisão, ainda consomem muito conteúdo de internet, especialmente YouTube e Tiktok.

???Eles vão muito pelos memes e vão pegando por essa via mais lúdica mesmo. Não é como se eles estivessem tendo acesso a sites de economia ou de política, mas dos youtubers que eles seguem???, acrescenta ela, que é orientadora educacional na escola Tempo da Criança. 

Em família
Participar dos assuntos em casa foi um dos motivos que a pedagoga Vanusia Cedraz, 57 anos, identificou para que a sobrinha Sofia Rios, 8, se interessasse tanto pelas eleições deste ano. Como o tio vê muito telejornal e, com a pauta dominada pelo ano eleitoral, consequentemente a menina acompanhava muitas matérias sobre política. Muito atenta, Sofia também participava das conversas e ouvia os comentários da família sobre o assunto. 

No auge da pandemia da covid-19, quando escutava os vizinhos fazendo panelaços contra o presidente Jair Bolsonaro (PL), Sofia incentivava que o tio batesse panelas junto e gritasse ‘Fora, Bolsonaro’. Aos poucos, Vanusia acredita que a menina começou a ter os próprios posicionamentos. 

“Ela ouvia e ia para a janela gritar. Começou a ter esse pensamento em relação a ele, que não gostava dele e que não gostava nem de ver. Quando começou, não era em defesa de alguém. Mas agora que ficou-se falando muito de Lula (PT) e Bolsonaro, ela fala em Lula para ganhar de Bolsonaro”, explica. 

A própria Sofia remonta ao período dos panelaços do ano passado como a época em que conheceu Bolsonaro. Agora, porém, os gritos de ‘fora, Bolsonaro’ saíram das janelas e foram para a escola. Estudante do 2º ano do ensino fundamental, ela tem colegas bolsonaristas. “Conversar, a gente não conversa. A gente grita ‘fora Bolsonaro??? para os bolsonaristas. Ele é um homem mau, está deixando o Brasil ruim”, diz a menina. 

Na última semana, o melhor amigo de Sofia fez uma música que passou a ser cantada por ela e outra colega no colégio. “1, 2, 3, Bolsonaro no xadrez / 3, 4, 5, para ficar contente/ Lula presidente”, recita, no ritmo da canção. Foi Sofia, inclusive, quem disse uma das frases do começo deste texto: à repórter, ela afirmou estar ansiosa para ver o presidente ser preso.

Apesar da música, Sofia só teve uma briga com uma amiga, que diz ser bolsonarista. “Só quem ouviu a música foi ela, que disse para a professora”, conta. A professora, segundo Sofia, deu um jeito de interromper o assunto. 

Em casa, a tia Vanusia costuma conversar com a pequena para que continue amiga de colegas que pensam diferente. Explica que a amizade não tem ligação com o candidato que a outra pessoa escolheu. 

“Sofia é muito observadora. A mãe dela tem atendimento home care e ela percebeu que a fisioterapeuta tinha um discurso que parecia defender Bolsonaro. Ela veio perguntar por que a moça ainda cuidava da mãe. Nós dissemos que não tinha nada a ver, que era uma profissional”, diz Vanusia. 

Natural de Mairi, a família de Sofia sempre se envolveu com política. As campanhas no interior são até consideradas mais dinâmicas e envolventes do que as de Salvador. “A gente fala que não pode misturar uma coisa com a outra. Mas acho que tem a ver com o período. Daqui para novembro, as crianças ainda vão falar disso porque vai ser recente. De janeiro em diante, acho que já mudam de assunto”, opina. 

Campanha
Até quando a criança ainda não frequenta a escolinha, a família percebe quando começa a curiosidade pelo momento eleitoral. Para o assessor parlamentar Vinicius Nieto, 23, as conversas em casa também foram importantes para que a pequena Mirela, 2, se identificasse com o candidato do pai, que apoia Jair Bolsonaro. 

“Como eu respiro política e sou bolsonarista também, ela sabe que bolsonarista não gosta de Lula. Então, quando Lula passa na TV, ela fala ‘Lula ladrão’. Ela identifica ele e fala”, conta o pai. 

Apesar da pouca idade, Mirela reconhece os símbolos identificados com a campanha do candidato do PL. Vinicius acredita que ela já sabia quem era Bolsonaro antes, mas, com o início da campanha de fato, em agosto, tudo se intensificou, uma vez que havia propaganda eleitoral na televisão. Desde o começo, o pai levava adesivos para casa e colava na camisa dela. Até a música Mirela já conseguia cantar. 

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Mirela, 2, já reconhece os símbolos associados à campanha de Jair Bolsonaro; ela até pediu ao pai, Vinicius, que lhe desse uma bandeira (Fotos: Acervo pessoal)

“Ela falava ‘pai, traz uma bandeira do Brasil para mim’. Ela gosta bastante de balançar a bandeira. Em casa, ficava cantando a música e dizendo que ela era a deputada Talita”, conta Vinícius, referindo-se à deputada estadual que é uma das representantes do bolsonarismo na Bahia. 

A família do lado materno de Mirela, por outro lado, apoia o candidato petista. Por isso, quando chegava na casa dos parentes, a pequena chegava a brincar ou provocar os familiares. Sempre que possível, tenta apoiar o pai. “Antes (da campanha), quando mostrava alguma coisa na TV que era algo ruim de Bolsonaro, e eu ficava chateado, ela falava para mim: ‘papai, eu gosto de Bolsonaro”, lembra. 

Vinicius sabe que o diálogo com uma criança tão novinha quanto Mirela não pode ser o mesmo que com um adulto. Por isso, tenta explicar a situação para ela usando termos que sejam do repertório de crianças. 

“Eu falo para ela ‘fazer isso é feio’, tipo ‘mentir é feio’, por exemplo. Ela fala para outras pessoas que não é legal. Ela tem primos de 5, 6 anos que falam de Lula. Se fala ‘Lula’, ela já fala Bolsonaro. Mas ela não leva para o coração (nenhum atrito)”, completa. 

No primeiro turno, pela correria da campanha, Vinicius não conseguiu levá-la para acompanhá-lo durante o voto. Mas pretende fazer isso no segundo turno, dia 30. Quer que a filha conheça como tudo funciona. 

“Acho muito importante conversar aos poucos. Não dá para falar tudo porque ela não vai entender tudo. Você não vai mostrar tudo para a criança, mas tentar passar os ideais”. Diante da personalidade da filha, ele arrisca como ela seria com coleguinhas de escola nesse período. “Ela é líder, então ia convencer muito amiguinho, com certeza”, acrescenta.  

Escola
Alguns anos atrás, era comum que escolas fizessem simulações de eleição durante o período eleitoral. Era um momento de apresentar o sistema a crianças e adolescentes. Uma espécie de ‘exercício’ para que os futuros eleitores observassem como acontecia e entendessem o que era um voto, uma urna, um candidato e por aí adiante. 

Alguns colégios iam até mais longe – faziam debates com candidatos de diferentes espectros políticos para alunos com mais idade. Tudo isso, porém, tem sido evitado agora, na avaliação do presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado (Sinepe), que representa as escolas privadas, Jorge Tadeu. 

“O que temos hoje é uma polarização e um estresse tão grande na política nacional que todo mundo receia que haja algum tipo de problema fazendo uma simulação desse tipo. Isso mostra o que a gente perde quando vai entrando nessa paixão de A contra Z”, pondera ele, que é diretor do Colégio Miró. 

Segundo Tadeu, as dúvidas são mais frequentes no Ensino Médio. São estudantes que estão tanto mais perto ou já na idade de votar quanto estão mais próximos do Enem, quando questões como essas podem ser levadas a um tema de redação, por exemplo. Mas ele diz que as escolas, de forma geral, não têm incentivado a discussão partidária, especialmente entre crianças menores. 

Para o presidente do Sinepe, isso não é de fácil assimilação para os mais jovens. “Eles ainda não têm uma capacidade de julgamento apropriada para tratar desses assuntos. Na adolescência, já tem um certo desenvolvimento até do cérebro, do córtex pré-frontal, que é responsável pelo julgamento, pela discussão”.

Ele acredita que não são muitos casos acontecendo nas escolas com crianças pequenas. Quando acontecem, não é incomum que identifiquem uma reprodução da fala dos pais ou de outras pessoas da família. São exemplos, de acordo com Tadeu, que ajudam a entender de que lugar crianças e jovens têm observado o fenômeno político hoje. “Para os muito pequenininhos, diria que é uma mera reprodução. Nos demais, ainda estariam acompanhando o julgamento???.  

Os professores, segundo o presidente do Sinepe, estão mais acuados hoje em função do que chamou de ‘patrulha’ de alguns setores sobre a atividade docente. “A relação entre professores e alunos fica mais tensionada, mais distante. Quando a gente vai naturalizando uma sociedade de muita desconfiança de tudo, a gente acaba artificializando as relações”, completa. 

O pensamento é compartilhado pelo coordenador geral do Sinpro, Allysson Mustafá. Segundo ele, algumas instituições de Salvador chegaram a emitir comunicados internos proibindo expressões de pensamento político nas escolas e até pedindo que evitassem o uso de materiais que pudessem identificar certos debates. 

“A negação do debate político dentro da escola é o avesso do que a escola deveria fazer”, diz. “Os professores não têm se sentido à vontade e terminam sendo parte desse processo de interdição não porque queiram, mas porque terminam fazendo um papel de evitar que isso seja posto em sala de aula, para que não sejam cobrados sobre um debate que muitas vezes é dos próprios alunos”. 

Professor há 20 anos, Mustafá diz que nunca viu um tensionamento político nesse nível também nas escolas. Ainda que considere que, em 2018, havia um clima parecido, ele avalia que a situação se ampliou agora. ?? por isso que poucos colégios estariam promovendo trabalhos como a simulação de eleições. 

“Essa é a grande dor. A gente deixa de usar o momento para entender o que está em jogo, o que é eleição, o que é ser deputado estadual, federal, o que é o processo político. A escola é o lugar que, por excelência, deve trazer para dentro de si o debate sobre a sociedade”, defende. 

Reflexão
A linha é muito tênue, mas a pedagoga Lilia Fortuna, 49, tenta fazer isso como vice-gestora de uma escola da rede municipal e como mãe de Janinne, 10. Ela conta que muitos de seus alunos não têm informações claras sobre política e diz que seu papel não é discutir política partidária em sala. 

Ainda assim, procura trazer a discussão sobre que a política aparece em outros aspectos.

“Se tem uma criança criticando a outra sobre questões religiosas, por exemplo, a gente acaba interferindo, não para recriminar a criança, mas para fazer a turma toda refletir”. 

Entre os estudantes a partir dos 9 anos de idade, ela diz que já consegue sentir, porém, uma espécie de torcida pulsante. ?? um tipo de clamor por um candidato ou outro. “Muitas crianças compreendem sim, independente de falar de quem quer que seja o político. Eles têm noção”, diz. 

Em casa, a filha Janinne cresceu convivendo com pessoas mais maduras. Lilia atribui isso ao fato de ter dado à luz quando tinha 39 anos. “Geralmente, quando as pessoas vêm conversar, ela está sempre por perto. Pode estar brincando com a coleguinha, mas está ligada”, diz. 

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Janinne começou a se interessar porque ouvia a mãe vendo matérias sobre política e sobre Lula; no colégio, ela tem uma amiga bolsonarista (Fotos: Acervo pessoal)

Na sala do 5º ano no Colégio Montessoriano, onde Janinne estuda, a maioria dos colegas ‘vota’ em Lula. “Só três pessoas não são. Duas são Simone Tebet (MDB) e uma é Bolsonaro. A maioria das pessoas fica cantando música de Lula e tal, por isso eu falo que meu voto é secreto. Mas a escola toda sabe meu voto”, conta a garota. 

Ainda que não votem, o verbo ‘votar’ é comum no vocabulário das crianças. Quando escolhem um candidato, elas votam nele – ainda que, na prática, isso não aconteça. Janinne descobriu aos poucos que o restante da sala também ‘era Lula’. A surpresa maior veio quando uma de suas amigas era Bolsonaro. Foi justamente quando ela falava algo de Lula e a colega respondia que era mentira; dizia que Lula era um ladrão. 

“Mas nunca briguei, porque essa pessoa que é Bolsonaro me respeita. Ela diz que é Bolsonaro, mas não sabe se os pais são. Continuamos sendo amigas apesar disso. ??s vezes brigamos, mas é por coisa do dia a dia”, explica. 

Na escola, porém, há tentativas de evitar que as manifestações políticas provoquem confusões. Na semana passada, segundo Janinne, uma professora chegou a pedir que ela e as amigas parassem de cantar um jingle de Lula porque um aluno da turma da manhã tinha ido para a diretoria por defender Bolsonaro. Se elas continuassem, poderiam ter o mesmo destino. 

“Eu sei que na época de Lula, as coisas eram mais justas, e no tempo de Bolsonaro, não é mais. Bolsonaro aceita o uso de armas e não respeita os indígenas. Ele é homofóbico e Lula não é nada disso. Lula não gosta do uso de armas e não discrimina os indígenas”, diz a menina. 

Ela diz ter começado a se interessar porque via a mãe assistindo matérias sobre Lula. Do quarto, ela escutava e tentava entender. Hoje, fica sabendo de muita coisa pelo Instagram, pela própria mãe e por canais no YouTube como o de Felipe Neto. “No dia do primeiro turno, eu chorei porque o Bolsonaro estava na frente. O pessoal teve que me acalmar”. 

Lilia diz que não quer que a filha copie a família, mas que observe e crie sua própria consciência crítica quando  for mais velha. Para ela, não há brigas na escola porque Janinne percebe quando a mãe corta pessoas que tentam ser agressivas. 

“Eu me afasto. Não vou em publicação de ninguém que não compartilhe das minhas ideias, mesmo que a gente tenha vínculo de amizade. Também não permito que entrem no meu para fazer algum comentário. Se a pessoa insistir, eu bloqueio. Eu crio dessa forma, porque você tem que aprender a respeitar o outro”. 

Pandemia
Para as gêmeas Sofia e Valentina, 5, filhas da advogada e servidora pública Paula Varela, 40, muito da percepção política veio também da pandemia da covid-19. Quando começou, as meninas tinham pouco mais de dois anos. Presas em casa, ficaram muito ansiosas. Esperavam pela vacina a ponto de saber quantas doses cada pessoa da família tinha tomado. 

“Todo dia elas perguntavam da vacina. Elas escutavam a gente falando que Bolsonaro não comprou vacina”, relata Paula. Como os pais são envolvidos com política e tem costume de ouvir jingle, logo as meninas também começaram a aprendê-los. “Elas são muito musicais, então decoram muito bem e dançam”. 

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Valentina (de tiara) e Sofia aprenderam os jingles da campanha; elas sempre perguntavam à mãe, a advogada Paula, sobre a vacina na pandemia (Fotos: Acervo pessoal)

Um dia, elas chegaram da escola contando que ‘quase todo mundo era do time de Bolsonaro’. “Eu disse que tudo bem, que é assim mesmo. Elas disseram: ‘ah, mas não quero mais brincar com eles’. Meu marido até brinca que elas não têm idade para brigar por política”, conta a advogada. 

No condomínio, onde elas também se percebem como minoria, é mais comum que situações aconteçam do que na escola. Ainda assim, Paula tem uma percepção geral de que até em algumas crianças existe uma exaltação muito grande. 

“Elas têm a percepção de que a maioria torce para o time de Bolsonaro e ficam querendo entender por que chamaram Lula disso ou daquilo. Elas querem saber nos mínimos detalhes. Não se conformam com uma resposta superficial”. 

A própria Paula vem de uma criação com muita discussão política. Quando jovem, seu pai, avô das meninas, era militante. Por isso, ela diz que pensa ser importante que as crianças convivam com a política. 

“?? importante que elas saibam que tem pessoas passando fome e que cabe ao presidente ajudar. Um dia, elas me disseram que tem que trabalhar muito para conseguir dinheiro. Eu expliquei que não, que tem gente que trabalha muito e não vai conseguir porque o mundo é injusto. Explico numa linguagem acessível, mas não fico criando no mundo de Alice, senão a criança fica se achando merecedora”, diz. “Queria que tudo fosse menos raivoso, mas é melhor que se tenha debate do que não ter debate nenhum”. 

Humanizar
Para a educadora parental Larissa Machado, muito da opinião das crianças vem dos pais. Há uma espécie de aproximação da política – os pais são líderes da casa, assim como o presidente chefia o Poder Executivo, por exemplo. “Não tem uma criança que seja Bolsonaro mas que o pai e a mãe sejam Lula. Com os pequenininhos, na escola, às vezes não dá, tem que cortar. Porque eles não estão brigando por Lula ou por Bolsonaro, mas pelo pai e pela mãe”, explica.

Ela orienta que os pais expliquem por que defendem um candidato ou por quais razões votam em outro, sem fanatismos ou defesas cegas. Seria um momento, para Larissa, de humanizar essas pessoas. 

“Por que um político vira perfeito? Sou defensora de que educar é humanizar. Não existe uma pessoa só boa e uma pessoa má. O que empobrece hoje a nossa sociedade é não poder discutir. A gente está vivendo uma cisão social”, completa. 

 

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