Ministros de Lula: Veja perfil dos escolhidos

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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (9) os primeiros nomes do seu ministério, incluindo o atual governador da Bahia, Rui Costa, que vai assumir a Casa Civil.

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) será o ministro da Fazenda, conforme vinha-se especulando. O senador eleito Flávio Dino (PSB) vai para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O diplomata Mauro Vieira comandará o Itamaraty. O ex-ministro José Múcio Monteiro vai assumir a pasta da Defesa.

Lula tomará posse no dia 1º de janeiro, dando início ao seu terceiro mandato como presidente. Ele deve manter um desenho de Ministérios simular ao segundo mandato dele, que acabou em 2010.

Lula decidiu antecipar o anúncio da primeira leva de ministros, após dizer que só revelaria o nome dos primeiros auxiliares após a cerimônia de diplomação, marcada para segunda-feira (12).

“Possivelmente no domingo eu vou ter uma conversa para definir quantos ministérios nós vamos ter, quais secretarias vamos ter. Na segunda-feira, depois da diplomação, eu vou tratar de terminar a montagem do nosso governo”, disse.

Veja perfis dos escolhidos:

Rui Costa (PT) – Casa Civil
Governador da Bahia nos últimos 8 anos, Rui encerra o mandato em 31 de dezembro. Ele é considerado um dos principais aliados de Lula. A Casa Civil é uma pasta que ajuda o presidente nas atribuições direta e coordena a integração entre os demais ministérios.

Rui Costa tem como padrinho político o senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos parlamentares mais próximos de Lula, e foi secretário de Wagner em duas ocasiões.

O economista nascido em Salvador é filiado ao PT desde 1982 e foi eleito vereador em 2004. No primeiro governo de Jaques Wagner na Bahia, assumiu a Secretaria de Relações Institucionais em 2007.

Depois, foi eleito deputado federal da Bahia em 2010. Dois anos depois, assumiu o comando da Casa Civil no segundo mandato de Wagner. Foi eleito governador em 2014 e quatro anos depois, reeleito em primeiro turno com 76% dos votos.

Fernando Haddad (PT) – Economia

Haddad foi prefeito de São Paulo e também ministro da Educação. Ele vai comandar o Ministério da Fazenda, pasta que vai voltar após desdobramento do Ministério da Economia, que dará origem ainda aos ministérios de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e de Planejamento, Orçamento e Gestão.

O advogado, professor de ciência política, mestre em Economia e doutor em Filosofia é descrito pelos colegas do próprio partido como “o mais tucano dos petistas”.

A trajetória do político foi marcada por uma longa passagem pelo Ministério da Educação, entre 2005 e 2012, durante os governos de Lula e Dilma Rousseff, e pela prefeitura de São Paulo (2013-2017). Ele foi derrotado nas eleições presidenciais de 2018 e neste ano para o governo paulista.

O pai de Haddad foi imigrante do Líbano em 1947. Em 1981, o jovem ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na Universidade de São Paulo (USP). Em 1988, aos 25 anos, casou-se com a dentista paulistana Ana Estela Haddad.

O paulistano nasceu no dia do aniversário da cidade, em 25 de janeiro de 1963. Seu pai emigrou do Líbano em 1947 e se estabeleceu no novo país como comerciante atacadista do setor têxtil.

Foi no terceiro ano de faculdade que filiou-se ao PT. Depois de concluir o curso de Direito, Haddad fez mestrado em Economia, também pela USP.

José Múcio Monteiro – Defesa

Múcio já foi ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais no segundo mandato de Lula. Apesar de ser civil, ele tem um bom trânsito entre militares e agora vai chefiar a pasta da Defesa. Ele também já foi presidente do Tribunal de Contas de União. Lula disse que eles devem se reunir ainda hoje para discutir nomes para comandar as forças militares.

Múcio é considerado capaz de trafegar com facilidade entre petistas, bolsonaristas e militares. Ele assumiu o primeiro cargo público em 1975, quando se tornou vice-prefeito de Rio Formoso (PE). Na época, era filiado à Arena, partido que dava sustentação à ditadura militar.

Passou 16 anos na Câmara, eleito cinco vezes deputado federal. Quando ocorreu o escândalo do mensalão, era líder do PTB e foi detonado pelo então presidente de seu partido, Roberto Jefferson, em 2005, no primeiro governo Lula. O esquema envolvia o pagamento de propina a parlamentares em troca de fidelidade ao governo nas votações do Congresso.

Na época, Múcio negou ter recebido qualquer oferta de dinheiro e disse ter ouvido falar de “mensalão” pela primeira vez em 2004: “A partir de então os comentários começaram a reverberar com mais frequência”.

Ocupou o posto de líder do governo na Câmara em 2007 e, na sequência, assumiu o cargo de ministro das Relações Institucionais, responsável por fazer a interlocução com o Congresso.

Flávio Dino – Justiça e Segurança Pública

Flávio Dino é ex-governador do Marinhão e senador eleito pelo estado. Ele já foi também juiz federal, deputado federal e presidente da Embratur.

Uma das principais medidas anunciadas como prioritária na equipe de transição, da qual ele faz parte, será a revogação de decretos de Jair Bolsonaro que flexibilizaram a compra e a posse de armas no país.

Filiado ao PT em 1987, Dino iniciou a carreira política no movimento estudantil.

Tornou-se juiz federal aos 26 anos e presidiu a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Foi professor de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2005, atuou como secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No ano seguinte, se filiou ao PCdoB, partido no qual permaneceu por 15 anos, até migrar para o PSB no ano passado.

No mesmo ano em que se filiou ao PCdoB, Dino se elegeu para uma vaga na Câmara dos Deputados. Com dois anos de mandato, disputou o cargo de prefeito de São Luís nas eleições municipais, sem sucesso.

Assumiu a presidência da Embratur em 2011com a promessa de aumentar o fluxo de turistas estrangeiros no Brasil, diante de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016. Deixou o cargo em 2014 para concorrer ao governo do Maranhão. Foi eleito com mais de 60% dos votos.

A gestão foi marcada por ações na Educação do estado, com investimentos na reforma de escolas e em medidas contra o analfabetismo. Em 2018, foi reeleito. Deixará a vaga no Senado para sua primeira suplente, Ana Paula Lobato (PDT), vice-prefeita do município de Pinheiro.

Mauro Vieira – Relações Exteriores

Diplomata de carreira e ex-ministro das Relações Exteriores no governo Dilma Rousseff, atualmente Vieira é embaixador do Brasil na Croácia. Ele já esteve à frente das embaixadas nos EUA e na Argentina. Agora, ele volta a comandar o Itamaraty.

Ex-embaixador em Washington, Vieira é diplomata de carreira e formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Já ocupou alguns dos principais postos no exterior, como a embaixada na Argentina, e a representação do Brasil nas Nações Unidas, em Nova York, Vieira é um dos mais experientes diplomatas em atuação.

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