Simbolismos não são suficientes contra a possibilidade de um golpe

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A semana seguinte aos ataques aos Poderes da República foi repleta de simbolismos. As caminhadas entre o Palácio do Planalto, a celeridade com que o Congresso Nacional votou o decreto de intervenção na segurança pública do Distrito Federal, as desmontagens dos acampamentos bolsonaristas… Dá para ficar contando durante algum tempo as oportunidades em que a semiótica impregnou o noticiário para reagir à ação de vândalos e terroristas domésticos. Mas essas respostas terão algum impacto nessa mobilização antidemocrática?

Até aqui, muitos daqueles que apoiam iniciativas golpistas ficaram em silêncio desde o fatídico dia ou optaram por uma conivência sob medida, sem condenar, mas sem dar o endosso integral. É uma estratégia de sobrevivência política de longo prazo. E tais figuras, que emergiram das sombras desde as jornadas de 2013, podem ter um papel fundamental no processo de sepultamento – ou não – de atos contra a República.

O extremismo demanda o esfacelamento das estruturas democráticas onde tenta se estabelecer. Como a extrema-esquerda nunca chegou perto de estar no poder no Brasil é inviável traçar qualquer tipo de comparação com a extrema-direita que ocupou a presidência da República durante quatro anos fingindo ser uma direita gourmet, ao mesmo tempo em que se pregava liberal e conservadora. Há crime nessas duas últimas características? Nenhum. O problema é o fingimento do bolsonarismo e do entorno do presidente Jair Bolsonaro, que ludibriou uma parcela expressiva da população.

Essas figuras entenderam bem os usos de mídias sociais para a formação de bolhas cuja reverberação de conteúdo impede toda e qualquer tentativa de conter mentiras e falsas narrativas. E, por mais que haja um esforço descomunal, a repressão a atos como os vistos em Brasília no último dia 8 não vai impedir que esse ambiente fértil para enganação se perpetue no médio e longo prazo. O caos plantado ao longo de quase uma década, de maneira paulatina, tem poder de destruir o que ainda entendemos como nação.

Há ainda muitos cidadãos que não conseguem entender a gravidade do que aconteceu nos últimos anos no Brasil – e até no mundo, dada a organização entre os atores políticos da extrema-direita ao redor do globo. Bolsonaro é a parte mais visível desse iceberg. A parte invisível pode até emergir, como a minuta de um decreto ilegal para reivindicar uma vitória falsa nas urnas. No entanto, nem uma marca de batom na cueca seria capaz de jogar luz à forma traiçoeira como esse grupo se comporta em terras brasileiras.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva não tem apenas o desafio de reestruturar o país em inúmeras frentes. Tem o papel crucial de tentar inviabilizar novas tentativas de golpe, muito bem camufladas como excessos “patrióticos” – com muitas ponderações quanto ao uso da palavra. A esperança, mais do que nunca, precisa vencer o medo.

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