Reino Unido enfrenta maior dia de greve em 11 anos com paralisações em diversos setores

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Ministra da Educação, Gillian Keegan, disse estar ‘decepcionada’ e ‘muito preocupada’ com a greve e considera que conceder os aumentos salariais exigidos seria ‘incoerente’

Oli SCARFF / AFP

greve no reino unido

Professores seguram cartazes enquanto participam de protesto organizado pelo NEU e outros sindicatos afiliados na praça de São Pedro, em Manchester, em 1º de fevereiro de 2023, como parte de um dia nacional de greve

Em meio a crise econômica, o Reino Unido enfrentou nesta quarta-feira, 1, a maior greve em onze anos. O país amanheceu com diversos setores paralisados. Escolas estavam fechadas, trens não estavam funcionando e os ministérios estavam com baixa no número de funcionários que se ausentaram do trabalho. A população pede reivindicação de melhores salários contra a inflação de 10,5%. A ministra da Educação, Gillian Keegan, disse estar “decepcionada” e “muito preocupada” com a greve. Ela considera que conceder os aumentos salariais exigidos seria “incoerente” quando os cofres do Estado estão sob forte pressão e endividamento. A última greve massiva de servidores públicos no Reino Unido, em novembro de 2011. Quase 20 mil escolas na Inglaterra e no País de Gales serão afetadas pelo primeiro dos sete dias de greves convocadas para fevereiro e março por professores do ensino infantil ao ensino médio, somando-se assim aos protestos que começaram meses atrás em muitos outros setores. A greve dos professores coincide com uma das muitas aprovadas por maquinistas de uma dezena de empresas ferroviárias e funcionários de 150 universidades. Também coincide com a ação de cerca de 100 mil funcionários de ministérios, portos, aeroportos e até centros de exames de habilitação. No total, até 500 mil pessoas estão em greve.

Embora cada setor tenha suas reivindicações, todos estão unidos para exigir aumentos salariais diante de uma inflação que está há meses acima de 10% (10,5% em dezembro) e deixa muitas famílias sem outra opção a não ser os bancos de alimentos. Essa profunda crise levou os enfermeiros a realizar em dezembro sua primeira greve nacional nos mais de 100 anos de história do sindicato. Depois de uma negociação malsucedida com o governo conservador de Rishi Sunak, eles convocaram mais dois dias de greve em janeiro e outros dois em 7 e 6 de fevereiro. Este último dia coincidirá com uma ação na Inglaterra e no País de Gales por equipes de ambulâncias no que pode ser a maior greve no sistema de saúde pública britânico, atormentado por anos de austeridade, desde sua criação em 1948. Apesar do caos provocado pelas greves incessantes, 59% dos britânicos apoiam a paralisação das enfermeiras, 43% apoiam os professores e 36% os ferroviários, de acordo com uma pesquisa do Public First publicada pelo Politico. O Executivo defende a necessidade de impor serviços mínimos em setores-chave e apresentou um projeto de lei cuja aprovação avança sem dificuldades no Parlamento.

*Com informações da AFP

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