Congresso: isolado no Senado, PL busca comissões-chave na Câmara

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Partido Liberal, do ex-presidente Jair Bolsonaro, se movimenta dentro do Congresso Nacional por comissões para fortalecer a bancada da sigla tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Consolidadas as eleições para as respectivas presidências, o partido tem ambientes divididos em ambas casas.

Próximo do presidente reeleito da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o PL tende a encontrar mais facilidade para compor as principais comissões.

O cenário, no entanto, diverge do Senado. A recondução de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) à presidência da Casa Alta prejudica o desempenho do partido na busca por protagonismo nos colegiados.

Disputa na CâmaraA reeleição de Lira já rendeu frutos ao PL. O partido terá o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) na segunda-vice-presidência da Mesa Diretora da Casa. As ambições da legenda, porém, vão além de uma cadeira no comando da Câmara. A sigla também terá na gestão do atual presidente papel de destaque no comando das comissões permanentes.

As comissões permanentes se dividem por temas e balizam a atuação dos deputados e senadores no Parlamento. Os colegiados são considerados importantes para os partidos em razão da projeção dos projetos que tramitam neles e da possibilidade de controlar a pauta da Casa, uma vez que várias proposições legislativas nem chegam a ir ao plenário.

Cada comissão da Câmara é composta por um presidente e três vice-presidentes eleitos pelos membros do colegiado. Estes, por sua vez, são indicados pelos partidos em acordos que respeitam a proporcionalidade partidária. Sendo assim, nada mais justo ao PL, dono da maior bancada da Casa, o desejo em integrar e chefiar as comissões mais relevantes.

Hoje, o partido mira colegiados cuja atuação pode significar uma pedra no sapato do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem a sigla declarou que irá fazer oposição.

CCJEntre os objetivos do PL, estão o controle da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados (CFFC) – ambas podem ter papel central na aprovação ou no embarreiramento de pautas de interesse governista.

É na CCJ que tramitam as pautas mais importantes da Câmara, como a admissibilidade de propostas de emenda à Constituição (PECs), por exemplo. Já a CFFC é considerada estratégia para o PL em razão do colegiado ser o responsável pelo acompanhamento das contas do governo federal.

A ala mais bolsonarista do PL também se mobilizou nos bastidores para que o PL ocupasse a chefia da Comissão de Meio Ambiente. Os deputados mais radicais do partido queriam que o ex-ministro Ricardo Salles (SP) na presidência do colegiado. A recusa do parlamentar em assumir o cargo, porém, esfriou as articulações.

A chefia do PL em uma destas comissões-chave é certa e a expectativa é de que o partido fique com a CFFC, o que poderá implicar em dores de cabeça para governistas. A bancada bolsonarista abriu mão do comando da CCJ, a mais importante da Câmara, em acordo pela reeleição de Lira. O partido cedeu ao PT, principal rival político atualmente, a cadeira, ao menos no primeiro ano de mandato de Lula, em seguida PP e PL comandariam o colegiado.

Luta no SenadoAssim como na Câmara dos Deputados, a composição das comissões temáticas no Senado seguem as linhas de proporcionalidade. Atualmente, 12 partidos compõem a Casa Alta, sendo o PSD o maior deles e a Rede Sustentabilidade o menor. Mesmo que senadores mudem de partido, para o cálculo da proporcionalidade, prevista na Constituição e no Regimento do Senado, valerá o cenário do momento da posse dos senadores.

À época das eleições, o PL tinha saído na frente com a maior bancada, mas foi desbancado pelo PSD, que filiou novos parlamentares às vésperas da posse.

A expectativa da sigla de Gilberto Kassab era fragilizar o partido do ex-presidente Bolsonaro depois do mesmo ter lançado a candidatura de Rogério Marinho à Presidência do Senado. Marinho, no entanto, perdeu com 32 votos contra Rodrigo Pacheco. O candidato do PSD conseguiu 49.

As negociações acerca dos colegiados foram costuradas por Pacheco em troca de apoio à sua reeleição. Para tentar bagunçar os acordos, lideranças do PL afirmam que devem lançar candidatos à presidência de todas as comissões.

Após ser sacramentado presidente da Casa mais uma vez, Pacheco avisou que priorizaria os partidos que apoiaram sua candidatura. Por isso, ao escolher a mesa diretora do Senado, os indicados foram do MDB, PT, União Brasil, PDT, PSB e Podemos foram eleitos. Para tentar negociar com o presidente, o Partido Liberal escalou o senador Eduardo Gomes (PL-TO) para conversar com Pacheco.

A ideia é que as comissões do Senado só voltem a funcionar na plenitude, com seus respectivos presidentes definidos, após o feriado do Carnaval.

OrçamentoA corrida dos partidos pela lideranças das 30 comissões da Câmara e dos 15 grupos no Senado é motivada pela ambição das siglas de conquistar espaços de poder dentro das Casas. Além das funções legislativas e fiscalizadoras, as comissões são alvo de disputa dos parlamentares devido ao orçamento destinado a elas.

Com o fim do orçamento secreto e o remanejamento das emendas de relator após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o valor destinado às emendasde comissões permanentes, chamadas de RP8, será maior que o dos últimos períodos.

De acordo com o Orçamento 2023, aprovado pelo Congresso no fim do ano passado, os colegiados terão verba de R$ 7,6 bilhões neste ano. Em 2022, o valor foi de R$ 329 milhões.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Míssil do Irã falha e cai no próprio território iraniano. Vídeo

O Ministério das Relações Exteriores de Israel divulgou nas redes sociais um vídeo que mostra um suposto míssil iraniano falhar logo após o...

TSE suspende cassação de vereadores em Lauro de Freitas; partidos eram acusados de fraude em cota de gênero

Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu os efeitos da cassação de três vereadores de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de...

Nikolas Ferreira arrecada R$ 5,7 milhões para vítimas de chuvas em MG

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) abriu uma vaquinha virtual para ajudar as vítimas das fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nas últimas...