Ocidente reage contra decisão de Israel de expandir assentamentos na Cisjordânia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Países do Ocidente criticaram nesta terça-feira (14) a decisão do governo de Israel de expandir os assentamentos na Cisjordânia num momento de tensão crescente na região. Em comunicado conjunto, as chancelarias da Alemanha, França, EUA, Itália e Reino Unido disseram que a medida “irá exacerbar” a crise entre israelenses e palestinos, já agravada após uma série de ataques nas últimas semanas.

O gabinete de segurança de Israel anunciou no domingo (12) que legalizará nove assentamentos na Cisjordânia em resposta ao que chamou de “atos terroristas mortais” ocorridos últimos dias. Na sexta (10), um palestino matou três israelenses em um ataque com carro em Jerusalém Oriental.

Os nove assentamentos eram considerados ilegais sob a lei israelense porque foram estabelecidos sem a aprovação do governo. Já organizações internacionais, entre as quais as Nações Unidas, consideram todos os assentamentos judaicos na Cisjordânia ilegais sob o direito internacional.

Ao justificar a expansão, o governo de Binyamin Netanyahu disse que “as colônias existem há vários anos, algumas delas há décadas”. Bibi, como o premiê é conhecido, informou ainda que a presença das forças de segurança em Jerusalém será reforçada.

“Estamos profundamente preocupados com o anúncio do governo israelense, que constrói 10 mil unidades de assentamento e agora inicia um processo para normalizar nove postos avançados”, diz a nota divulgada pelos cinco países de forma conjunta. “Nos opomos fortemente a essas ações unilaterais.”

No comunicado, os ministros das Relações Exteriores afirmam que a paz “justa e duradoura” no Oriente Médio só será alcançada com “negociações diretas entre as partes” e que “israelenses e palestinos merecem viver em paz com medidas iguais de liberdade, segurança e prosperidade”.

A Cisjordânia é um território palestino ocupado por Israel desde 1967. Mais de 475 mil israelenses moram em assentamentos na região, onde vivem aproximadamente 3 milhões de palestinos.

A expansão dos assentamentos foi promessa de campanha de Netanyahu, que lidera o governo mais à direita da história de Israel, com a participação de líderes nacionalistas. Nos últimos dias, aliados do premiê vinham pressionando pela construção de moradias como resposta aos ataques em Jerusalém.

As tensões aumentaram em janeiro, com a morte de dez palestinos durante uma ação do Exército israelense na Cisjordânia. Autoridades israelenses disseram que trocaram tiros com militantes do Jihad Islâmica e do Hamas, grupos considerados terroristas por diversos países ocidentais.

A Autoridade Palestina –concebida como um governo de transição até o estabelecimento de um Estado– disse que inocentes foram mortos na ação e afirmou que encerraria sua parceria com Israel na área da segurança. A cooperação, que já foi interrompida em outros momentos de crise, era considerada por muitos como responsável por impedir ataques contra Tel Aviv e manter certa estabilidade na Cisjordânia.

Desde então, vários ataques foram registrados na Cisjordânia. No mais mortal deles, sete pessoas foram mortas a tiros em frente a uma sinagoga, em Jerusalém Oriental, no mês passado.

É neste contexto que políticos aliados a Netanyahu defendem mais construções de assentamentos, além da ampliação de ofensivas na Cisjordânia. Após os ataques, o governo de Israel também iniciou uma ofensiva contra as casas e os direitos das famílias de palestinos que atiraram contra israelenses.

O anúncio para a expansão dos assentamentos acontece ainda num momento em que o governo Netanyahu enfrenta protestos desencadeados por um projeto que ameaça a autonomia do Judiciário do país.

Nesta segunda (13), de 80 mil e 100 mil cidadãos se reuniram para protestar contra a proposta, de acordo com estimativa do veículo local Haaretz –muitos aderiram à greve convocada pela oposição e viajaram da capital, Tel Aviv, a Jerusalém para participar do ato.

O texto permitiria, entre outras medidas, que o Knesset derrubasse decisões da Suprema Corte por meio de votações com maioria simples –algo que a coalizão que sustenta a atual administração, a mais à direita da história de Israel, já possui.

O governo argumenta que a mudança é necessária para tirar a Justiça das mãos de “magistrados elitistas e tendenciosos”. Na prática, porém, ela daria superpoderes ao premiê e a seus aliados durante o mandato.

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