O Brasil não é para Cartesianos! (Paulo Baía)

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A história do senador Marcos do Val, ou as várias histórias derivadas, demostram que o núcleo bolsonarista não tem nada de bobo, nada de imbecil, nada de burrice.

As histórias que o senador Marcos do Val colocou em todas as mídias na madrugada do dia 02 de fevereiro é jogo tático, está dentro do contexto estratégico planejado para criar tumulto, para criar ambiências.

Cria uma alavanca favorável à instalação de uma CPI para investigar o dia 8 de janeiro tendo Jair Bolsonaro com foco, mas a intenção é investigar, responsabilizar e punir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça Flávio Dino.

Ao mesmo tempo que a CPI tiraria a responsabilidade do governo do Distrito Federal, do governador Ibaneis Rocha, dos órgãos de Segurança Pública do Distrito Federal e de integrantes das Forças Armadas Brasileiras em Brasília.

As histórias de Marcos do Val também tem um outro viés mais imediato, sobretudo a partir da prisão de Daniel Silveira no dia 02 de fevereiro pela manhã: colocar na roda de suspeitos de prevaricação o Ministro Alexandre de Moraes, do STF. É evidente que essa ação procura mostrar um vínculo de ligação, de intimidade, entre o Ministro Alexandre Moraes e o Senador Marcos do Val, para desmoralizar, e não apenas desmoralizar, mas desqualificar juridicamente o Ministro Alexandre de Moraes como relator dos diversos inquéritos do dia 8 de janeiro e como julgador desses inquéritos como membro do Supremo Tribunal Federal.

Portanto, não vamos nos iludir acreditando que estamos lidando com um maluco, imbecil ou burro.

Marcos do Val está cumprindo uma missão tática e estratégica para Jair Bolsonaro, para os bolsonaristas e para a extrema direita, algo bem planejado dentro de um contexto para gerar insegurança permanente no novo governo do presidente Lula, desqualificar juridicamente o Ministro Alexandre Moraes do Supremo Tribunal Federal e fazer com que Jair Bolsonaro, integrantes as forças armadas e do governo do GDF sejam inocentados, sejam colocados fora dos processos de investigação do dia 8 de janeiro com a interdição, com o descredenciamento de Alexandre de Moraes como juiz.

*Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.

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