MPT dá dez dias para vinícolas apresentarem contratos com terceirizada

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Logo Agência Brasil

As vinícolas gaúchas Aurora, Garibaldi e Salton terão dez dias para apresentarem documentos que mostrem a relação com a empresa terceirizada Fênix Serviços de Apoio Administrativo, flagrada na semana passada mantendo trabalhadores em condição análoga à escravidão em Bento Gonçalves (RS). A determinação veio do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul (MPT), que promoveu nesta quarta-feira (1º) uma audiência com representantes das vinícolas.ebcebc

Segundo o MPT, as empresas terão de fornecer documentos como contratos de prestação de serviços, notas fiscais, atos constitutivos para que a responsabilidade de cada vinícola no episódio seja esclarecida. As companhias também terão de esclarecer como os contratos com a empresa terceirizada eram fiscalizados.

Notícias relacionadas:

  • MPT abre investigação contra vereador por apologia ao trabalho escravo.
  • Ministro dos Direitos Humanos pede ações sobre trabalho escravo no Sul.

Somente após analisar os documentos, o MPT apresentará uma proposta de termo de ajuste de conduta com as vinícolas. O acordo incluirá obrigações a serem cumpridas e deverá estabelecer o pagamento de uma indenização de danos morais coletivos. Até agora, informou o Ministério Público do Trabalho, as três empresas manifestaram a intenção de negociar um compromisso para aprimorar a fiscalização da cadeia produtiva do vinho na Serra Gaúcha.

Na segunda-feira (27), o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, convocou uma reunião extraordinária da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) e disse que um processo administrativo está sendo instaurado contra as vinícolas.

Nesta quarta-feira (1º), 54 trabalhadores baianos expostos ao trabalho análogos à escravidão foram recebidos na sede da Defensoria Pública da Bahia, em Salvador. As vítimas relataram uma rotina de maus-tratos.

Entenda o caso

No dia 22 de fevereiro, uma ação conjunta entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 207 trabalhadores que enfrentavam condições de trabalho degradantes em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O resgate ocorreu depois que três trabalhadores que fugiram do local contactaram a PRF, em Caxias do Sul (RS), e fizeram a denúncia.

Atraídos pela promessa de salário de R$ 3 mil, os trabalhadores relataram enfrentar atrasos nos pagamentos dos salários, violência física, longas jornadas de trabalho e oferta de alimentos estragados. Eles relataram ainda que, desde que chegaram, no início do mês, eram coagidos a permanecer no local sob pena de pagar multa por quebra do contrato de trabalho. A PF prendeu um empresário baiano responsável pela empresa, que foi encaminhado para o presídio de Bento Gonçalves.

Em notas, as vinícolas disseram que desconheciam as irregularidades praticadas contra os trabalhadores recrutados pela empresa prestadora de serviços terceirizados.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Dono de oficina é atropelado por ex-funcionário em Minas; vídeo

Um dono de oficina mecânica foi atropelado na noite de sexta-feira (27/2) em Caiçaras, região noroeste de Belo Horizonte, Minas Gerais. A polícia...

Coco Bambu processa Gregório Duvivier e João Vicente de Castro por suposta difamação em programa de humor

Coco Bambu abriu uma ação judicial na 11ª Vara Cível da Capital, no Rio de Janeiro, contra os humoristas Gregório Duvivier e João...

Lulinha teria admitido que o Careca do INSS lhe pagou viagem de 1º classe e hospedagem em Portugal, revela jornal

Alvo de requerimento de quebra de sigilo aprovado pela CPMI do INSS, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do...