Nos EUA, Bolsonaro cita navios do Irã no Rio para atacar Lula

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O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado (4/3), em discurso em um evento conservador em Washington, nos Estados Unidos, que, se ainda fosse presidente, “não teríamos problema” com os navios de guerra do Irã que tiveram autorização para atracar no Rio de Janeiro. A fala de Bolsonaro é uma sinalização ao governo americano e uma crítica velada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na fala, Bolsonaro não citou nominalmente o adversário Lula, criticado pelos EUA pela autorização concedida ao governo iraniano. O Irã está na lista do Departamento de Estado americano de países que patrocinam o terrorismo.

“Somos um país de paz. Se eu fosse presidente, não teríamos esse problema agora com os navios iranianos”, se limitou a dizer o ex-presidente.

EntendaNo fim de fevereiro, a Marinha do Brasil autorizou a visita de dois navios de guerra do Irã ao porto do Rio de Janeiro. A autorização era para que eles ficassem atracados no local entre os dias 26 de fevereiro e 4 de março.

Países vizinhos, como Argentina, Chile e Uruguai, haviam rejeitado o pedido iraniano para que os navios atracassem em seus portos. O caso causou desconforto entre o governo brasileiro e os EUA. A embaixadora americana no Brasil, Elizabeth Bagley, fez um apelo ao governo para não permitir que os navios atracassem no país.

Na última quinta-feira (2/3), Israel fez coro aos EUA e também criticou o Brasil. Em nota, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel disse que o país vê a atracagem de navios de guerra iranianos no Brasil como “um desenvolvimento perigoso e lamentável”.

CPACBolsonaro discursou por cerca de 20 minutos no Conservative Political Action Conference (CPAC), evento promovido por conservadores dos Estados Unidos.

A principal atração da conferência é o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que discursa às 18h deste sábado, no horário de Brasília. No discurso, Bolsonaro fez elogios ao político, com quem disse ter tido relacionamento “simplesmente excepcional”.

Bolsonaro está nos EUA desde 30 de dezembro de 2022, antes mesmo de completar seu mandato. A Presidência autorizou, no fim de fevereiro, a permanência de dois seguranças que seguirão acompanhando o ex-presidente no país até o dia 15 de março. Ou seja, pelo menos até essa data, Bolsonaro deve ficar por lá.

A esposa de Bolsonaro, Michelle, e a filha do casal, Laura, já regressaram ao Brasil.

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