Extorsão no campo: recibos mostram pagamentos a aliado de José Rainha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

São Paulo – Recibos bancários entregues à Polícia Civil paulista mostram pagamentos feitos por um fazendeiro que diz ter sido vítima de extorsão após a invasão de sua propriedade para um dirigente da Frente Nacional de Lutas (FNL), o movimento sem-terra liderado por José Rainha Júnior, que está preso.

Segundo os comprovantes, foram seis transferências, no valor total de R$ 60 mil, feitas entre os meses de março e julho de 2022, para a conta bancária de Luciano de Lima, braço-direito de José Rainha na FNL. Outros R$ 15 mil teriam sido pagos em espécie a Cláudio Ribeiro Passos, o “Cal”, outro integrante do grupo.

A quantia de R$ 75 mil, segundo a investigação, foi paga pelo empresário do agronegócio Henrique Duarte Prata, mais conhecido por ser o administrador do Hospital do Câncer de Barretos, no interior de São Paulo.

Em depoimento à polícia, em agosto de 2022, ele disse que “sem-terras” invadiram uma propriedade de 50 alqueires que ele havia acabado de arrendar para alocar 400 cabeças de gado, na cidade de Rosana, a 730 quilômetros da capital paulista, e impediram seu empregado de entrar na fazenda para alimentar os animais.

Diante dessa situação, disse o fazendeiro aos policiais, “não teve outra alternativa senão a de realizar o pagamento do valor cobrado pela liderança daquele movimento”. Os pagamentos, em espécie e por transferências bancária, foram feitos até que ele conseguisse tirar os animais da propriedade invadida pela FNL.

Prisão – José Rainha, Luciano de Lima e Cláudio Ribeiro Passos, o “Cal”, estão presos desde sábado (4/3), acusados de liderarem uma quadrilha que teria extorquido seis fazendeiros da região do Pontal do Paranapanema, no interior paulista. No domingo (5/3), eles passaram por audiência de custódia e foram mantidos na prisão.

O trio foi denunciado pelos crimes de extorsão e associação criminosa pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que endossou os pedidos de prisão preventiva defendidos pela polícia.

“A gravidade do comportamento e a ousadia da organização criminosa, ao que consta nos autos, há indícios de desvirtuamento de movimento social para a reiterada prática de condutas criminosas”, afirmou a Promotoria.

Como o Metrópoles revelou nessa segunda-feira (6/3), o movimento liderado por José Rainha é acusado de cobrar até R$ 2 milhões, além de parte das propriedades, para devolver fazendas invadidas pelos sem-terra.

Defesa – O Metrópoles procurou a defesa de José Rainha e Luciano de Lima, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestação. O advogado de Cláudio Ribeiro Passos não foi localizado pela reportagem.

Em nota divulgada no domingo, os advogados Raul Marcelo e Rodrigo Chizolini, que representam os líderes da FNL,  afirmaram que Rainha e Lima são “dois trabalhadores do campo que lutam por justiça social e reforma agrária” e que “vão utilizar, dentro da lei, todos os recursos necessários” para que eles sejam soltos.

A FNL afirmou que a ação da policial teve “cunho político” e foi uma “retaliação” às ocupações de nove fazendas em fevereiro, em ação batizada como “Carnaval Vermelho”, o que a polícia nega.

Comentários do Facebook

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Petistas dobram aposta contra relator da CPMI e cobram exame de DNA

Resumo: após o encerramento da CPMI do INSS no Congresso, as lideranças petistas intensificaram a denúncia contra o relator Alfredo Gaspar (PL-AL), pedindo...

Confira quem sai do governo Lula, quem continua no cargo e os novos ministros que assumirão na Esplanada

Resumo rápido: em encontro no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou mudanças em pelo menos 18 pastas, reorganizando...

Putin discute escalada no Oriente Médio com líder dos Emirados Árabes

Putin discute crise no Oriente Médio com MBZ; China e Paquistão propõem cessar-fogo, abrindo nova fase geopolítica Resumo: diante da escalada da guerra no...