Embaixada brasileira na Espanha fez ataques duros por caso Vini Jr

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A Embaixada do Brasil na Espanha fez críticas duras ao governo espanhol sobre os atos racistas sofridos pelo jogador Vini Jr. no mês passado, naquele país. Um telegrama diplomático da Embaixada enviado ao departamento do Itamaraty que trata de Europa apontou um “quadro de inércia” daquele país em coibir os crimes racistas, e sugeriu que “delinquentes racistas se sentem autorizados”.

O documento é do dia 22 de maio. Na véspera, Vini Jr. havia sido alvo de novas ofensas racistas em Valência, num jogo de futebol entre Real Madri e o time da cidade. O atleta foi chamado de “macaco” e, depois de alertar o juiz apontando para os racistas, foi expulso da partida.

O telegrama, obtido pela coluna por meio da Lei de Acesso à Informação, afirmou que “nada parece alterar o quadro de inércia que caracteriza a perseguição e devida punição dos responsáveis pelos insultos”, e trouxe uma sugestão de comunicado a ser assinado pelo embaixador brasileiro na Espanha, Orlando Leite. O material foi enviado a dois setores do Itamaraty: Divisão de Europa e União Europeia, e Divisão de Direitos Humanos.

Um trecho dessa nota disse: “A Embaixada do Brasil repudia com veemência as ofensas racistas pelo jogador e considera inaceitável que em um Estado democrático de direito como o que vigora no Reino da Espanha se possam tolerar episódios do gênero sem que os responsáveis se vejam exemplarmente punidos”, ressaltando que desde janeiro já era o oitavo crime de violência racista contra Vini Jr.

“O caráter reiterado dos ataques sugere a existência de um contexto no qual delinquentes racistas se sentem autorizados a cometê-los frequentemente. Tal situação, que a longo prazo prejudica a própria imagem do Reino da Espanha como uma sociedade plural, democrática e respeitosa com os direitos humanos, deve forçosamente ter um fim”, seguiu a embaixada, expressando em seguida “grave preocupação”.

A Embaixada também propôs que o embaixador se reunisse com autoridades do governo espanhol e com Javier Tebas, presidente da LaLiga, entidade que organiza o campeonato espanhol de futebol. O encontro entre o embaixador e Tebas aconteceu quatro dias depois do telegrama, em 26 de maio.

Na ocasião, a dupla divulgou uma nota conjunta, que cobrou punição exemplar aos racistas e afirmou:  “Não há lugar no mundo contemporâneo para atos racistas como os ocorridos em 21 de maio em Valência, dirigidos contra o jogador brasileiro Vinícius Júnior”.

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