A presença da querida Etiópia do reggae love

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O Barradão tem a honra de receber hoje, 21h30min, a visita da Querida Bolívia, o tricolor verde-amarelo-vermelho Sampaio Corrêa, 16 pontos, em 12º lugar, enquanto o Vitória, 25, está na quarta posição. Campeão do Nordeste, em Salvador, ao empatar com o Bahia na final (de 2018), o clube maranhense tem resistido bravamente na segunda divisão, para onde descem os nordestinos, cedo ou tarde, revelando o racismo regional da disputa. A lógica mercantil facilita a compreensão de quem acha justo clubes receberem recursos financeiros proporcionais ao público consumidor, privilegiando os superdotados de torcedores, assim, concentrando a grana no Sudeste. Não há de ser nada, o Sampaio não se rende nem se vende e tem realizado ações promocionais, com a venda dos belíssimos padrões das cores da Bolívia, mas também da Etiópia, valendo a ressignificação dos regueiros. O renomeado por esta coluna “Querida Etiópia”, o padrão representa todas e todos os adoradores do ritmo inventado na Jamaica, boas vibrações para a valorosa Tribo de Jah. Em Salvador, o regue é pista da contaminação de meios massivos pelas estratégias de mercado, as visíveis e as invisíveis, pois desconhecemos a superlotação dos shows em louvor a Jah, enquanto gêneros caretas e canalhas têm mecenato estatal. Impossível de entender, pela lógica de mercado, pois se esta visa ganhar dinheiro, é desperdício somente explicável em ciência política, pois a música, o ritmo e as letras abrem a cabeça do oprimido, tipo um Francisco Ferrer Y Guardía da música. Basta a cadência do regue para desafiar a Babilônia, devido à leveza e passos contidos da dança, contrariando a velocidade imposta pelas rotinas produtivas do cotidiano, como denuncia a brilhante pesquisadora Michelle Prazeres, líder do Movimento Desacelera. O regue love é o gênero musical favorito no Maranhão, onde se dança agarradinho o ritmo delícia de Bob. Campeã brasileira das séries B, em 1972; C, em 1997; e D, em 2012, estas duas invicto, a Querida Bolívia é uma homenagem ao Hidroavião Sampaio Corrêa II, ao visitar São Luís, no dia 12 de dezembro de 1922. Foi a primeira ligação entre as Américas, saindo dos Estados Unidos para o Brasil, pátria do inventor do formidável aparelho, o grande Alberto Santos Dumont. O Querido Vitória tem a oportunidade de avançar rumo ao acesso; já o Sampaio chega pressionado pela necessidade de vencer pois está a apenas cinco pontos da degola. A sobrenatural largada rubro-negra transmitiu sensação de facilidade para a volta à Série A, não confirmada nas rodadas recentes, resultando na ameaça de ultrapassagem por Mirassol (25 pontos) e Criciúma (24). Campeonato longo, de 38 rodadas, a Série B é aquele rio sinuoso, de boa navegabilidade em muitos trechos, mas perigoso também, quando se precisa remar com vontade nas correntezas. Por isso, a competição exige plantel, quanto mais remadores capazes, maiores as chances de atravessar o canal da volta ao principal certame do país, do qual o Vitória foi um habitual conviva. Para a família rubro-negra, importa o amor-Vitória, aquele tipo de amor incondicional, mesmo sabendo incerto o retorno, quando não traiçoeiro, ao acreditar o torcedor na ilusória felicidade, eterna enquanto dura. Paulo Leandro é jornalista e professor doutor em Cultura e Sociedade.

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