Foram compassivos com Bolsonaro, diz Gilmar em meio a tensão entre STF e Congresso

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

FRANKFURT, ALEMANHA (FOLHAPRESS) – Os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes defenderam nesta segunda-feira (9) durante uma conferência na Alemanha o papel do STF e do Judiciário como resistência a ataques antidemocráticos no Brasil. Indagado pela reportagem, Gilmar voltou a criticar as propostas de mudanças no Supremo.

O STF está sob fogo cerrado do Congresso, que vê a corte usurpando poderes do Parlamento ao pautar temas que deveriam ser alvo de legislação, como a descriminalização do aborto, das drogas, e a derrubada do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que há apoio suficiente na Casa para aprovar a PEC que restringe as decisões monocráticas no STF e a que estabelece limites para os mandatos dos ministros.

“O timing [das propostas] é impróprio “, disse Gilmar, após discurso na conferência Digitalização e Democracia: um diálogo entre Brasil e Europa, promovido pela OAB e pela Universidade Goethe.

“Como já afirmei, é estranho que se decida começar a reforma constitucional pelo tribunal. Se formos olhar, todos foram quase que compassivos com as investidas do Bolsonaro em respeito à aprovação de todas as medidas -a PEC Kamikaze, redução do preço de combustíveis, e nós na defensiva o tempo todo”, disse, referindo-se a medidas eleitoreiras de Bolsonaro durante e pouco antes da campanha.

Segundo Gilmar, a questão das decisões monocráticas e pedido de vista “já foram resolvidas” com decisão da ministra Rosa Weber. “Estão optando por algo simbólico”, disse.

Já Toffoli, em discurso, defendeu a chamada “democracia militante” no Brasil.
“O Judiciário, a advocacia, o Ministério Público, a magistratura, a academia, os advogados, temos atuado de forma precisa e ágil contra aqueles que quiseram destruir e afrontar as instituições democráticas no pais”, afirmou o ministro, citando a judicialização de temas como os ataques de 8 de janeiro, as tentativas de desestabilizar o processo eleitoral de 20-22 e a distribuição de vacinas durante a pandemia de Covid.

Ele citou as medidas durante as eleições, como bloqueio de contas em redes sociais e de monetização de alguns canais, além de ações contra as plataformas que fizeram lobby contra o PL 2.630, o PL das fake News, como essenciais para a democracia.

“Isso suscitou a comparação com democracia combativa -mas própria democracia, pelo excesso de tolerância, permite a líderes miná-la.”

“Trata-se de uma democracia defensiva, de resistência ou combativa, uma atuação reativa pró democracia como resposta a ataques”, disse.

Toffoli também citou prefácio feito pelo jurista Celso Lafer à obra da filósofa Hannah Arendt, em que o brasileiro diria que o Judiciário, a magistratura e a academia eram as instituições “garantes da verdade factual no mundo”.A jornalista viajou a convite da Universidade Goethe.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Brasileiro Alex Poatan abre mão de cinturão do UFC; entenda o motivo

Atenção, fãs de UFC. O presidente Dana White confirmou que Alex Pereira deixará o peso meio-pesado, abrindo mão do cinturão que...

Operação policial em Valéria termina em confronto com criminosos e apreensão de fuzis

Uma ação da Polícia Militar da 31ª CIPM, no bairro Valéria, em Salvador, resultou na apreensão de armamento de alto poder de fogo...

Líderes mundiais se posicionam sobre ataques de Israel e EUA ao Irã

O que dizem autoridades mundiais Líderes e autoridades mundiais se manifestaram publicamente após os EUA e Israel atacarem o Irã na madrugada deste sábado...