Fala de Lula sobre meta fiscal é ‘brochante’ e constrange Haddad, diz relator da LDO

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O deputado federal Danilo Forte (União Brasil-CE), relator da Lei de Diretrizes Orçamentário (LDO), afirmou que a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a meta fiscal é “brochante”. Em nota divulgada à imprensa e compartilhada também em suas redes sociais, o parlamentar lamentou que o chefe do Executivo não tenha garantido que as contas públicas terminem o ano de 2024 com déficit zero. No entendimento de Forte, a fala também “constrange” Fernando Haddad (PT), ministro da Fazenda, que busca por um equilíbrio nas contas públicas. “As declarações do presidente Lula sobre o abandono da meta fiscal causam constrangimento ao ministro Fernando Haddad, que tem lutado muito para o atingimento do déficit zero a partir da aprovação da agenda econômica”, disparou, em sua conta no “X”, o antigo Twitter.

“Desde abril venho defendendo a necessidade de alteração da meta fiscal, dentro de uma construção política, com diálogo e transparência. Sempre defendi um orçamento enxuto, exequível e realista, que dê previsibilidade à execução orçamentária. Isso passa também pela votação dos vetos ao arcabouço fiscal, que precisam ser apreciados com celeridade. Trata-se de uma fala brochante para a pauta econômica, que sofre resistências no Legislativo. Até porque o próprio atraso na votação da LDO ocorreu para dar a oportunidade para o governo federal realizar o convencimento acerca das propostas da equipe econômica. Estarei, como sempre, à disposição do Executivo para rediscutirmos os números reais da economia dentro da perspectiva de uma possível mudança na meta de resultado primário”, acrescentou Danilo Forte.

Mais cedo, em café da manhã com jornalistas, Lula afirmou que não quer seguir um objetivo que o obrigue a começar o ano fazendo corte de bilhões em obras consideradas prioritárias pelo governo. “O que a gente puder fazer para cumprir a meta fiscal, a gente vai cumprir. O que eu posso te dizer é que ela não precisa ser zero. O país não precisa disso. Eu não vou estabelecer uma meta fiscal que me obrigue começar o ano fazendo corte de bilhões nas obras que são prioritárias para este país. Eu acho que, muitas vezes, o mercado é ganancioso demais e fica cobrando uma meta que ele sabe que não vai ser cumprida. Eu sei da disposição do [Fernando] Haddad, sei da vontade do Haddad. Sei da minha disposição, mas quero dizer para vocês que nós dificilmente chegaremos à meta zero, até porque eu não quero fazer cortes em investimento de obras”, declarou. O mandatário ainda avaliou que, se o governo terminar o ano com o déficit entre 0,25% 0,5%, haveria pouco impacto para o país. “Se o Brasil tiver um déficit de 0,5%, o que que é? De 0,25%, o que que é? Nada. Absolutamente nada. Então, nós vamos tomar a decisão correta e vamos fazer aquilo que for melhor para o Brasil”, complementou.

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