Cracolândia: após saída do fluxo, crianças brincam no meio da rua

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São Paulo – Moradores da rua Mauá, no centro de São Paulo, aproveitaram a saída do fluxo da Cracolândia do local na noite desta quinta-feira (9/11) e transformaram a via em uma área de lazer.

Por volta das 21h, a rua, que fica na lateral da Estação da Luz, tinha crianças jogando futebol, andando de bicicleta, vizinhos conversando e se divertindo formavam um cenário bastante diferente daquele visto nas duas noites anteriores, quando dezenas de usuários ficaram aglomerados e encurralados no local.

A vendedora ambulante Thelma Dias do Vale, de 48 anos, estava feliz com o novo movimento: “Queria já estar dormindo, trabalho com café na rua na madrugada, mas fiquei sem conseguir sair esses dias”, diz. “Do jeito que está hoje, é como costuma ser. É bem positivo. A gente precisa ter paz. Esse barulho aqui não incomoda, o que incomoda é o barulho de bomba e cheiro de drogas”, completa.

A noite de paz contrasta com o dia conturbado na Cracolândia. Os moradores do local fizeram um protesto e bloquearam a Rua Mauá, na entrada da Estação da Luz, com o objetivo de impedir a passagem de usuários para a via.

Segundo Ivaneti Araújo, coordenadora do Movimento de Moradia na Luta por Justiça (MMLJ), a ida dos usuários de drogas para a rua atrapalha o direito de ir e vir das pessoas e até tarefas rotineiras, como a retirada de lixo das casas. Ela diz que os usuários são tão vítimas quanto eles, mas a situação é insustentável.

“Existe uma política de carregar o povo em situação de rua de um local para outro, não tem um atendimento digno para essa população. Estamos aqui há mais de 18 anos, temos crianças que precisam ter acesso a escolas, famílias com direito de ir e vir e agora estamos aqui limitados, com nossos direitos violados. A gente não consegue nem jogar o lixo na rua. Eles usam drogas e o cheiro entra para dentro do prédio”.

Segundo Ivaneti, a secretária de Segurança Urbana da prefeitura pediu para a Guarda Civil Municipal (GCM) tirar o fluxo da Cracolândia da rua. “Eles disseram para acalmar o meu povo, que o pessoal de lá [usuários de crack] não vai vir”, afirmou.

Sempre que questionada, a Prefeitura de São Paulo nega que direciona o fluxo.

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