Sem nomeações por Lula no Cade, sessões e prazos são suspensos

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Conforme previsto por advogados especialistas em direito concorrencial, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) enfrenta um apagão após o término dos mandatos de quatro dos sete conselheiros. Sem quórum, as três últimas sessões de julgamentos de 2023 (7/11, 29/11 e 13/12) foram suspensas pelo presidente Alexandre Cordeiro. A última sessão ocorreu em 25 de outubro.

Segundo despacho do presidente, também foi suspensa a tramitação de processos que estiverem no Tribunal Administrativo e foram interrompidos todos os prazos, cuja contagem será retomada somente após a recomposição do quórum do colegiado.

Com isso, a tramitação dos casos de compra e fusão de empresas fica paralisada. Nesse meio tempo, os processos administrativos para análise de ato de concentração econômica ficam a cargo, de forma interina, da Superintendência-Geral.

Três conselheiros do Cade haviam concluído seus mandatos em outubro (Lenisa Prado, Luiz Hoffmann e Sérgio Ravagnani), e mais um, Luis Henrique Bertolino Braido, saiu no início de novembro. Responsável pelas indicações dos substitutos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deu sequer sinais sobre quando irá apresentar os nomes — que ainda precisam ser sabatinados e aprovados pelo Senado e, em seguida, empossados.

Ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o órgão é responsável pela defesa da livre concorrência e pode investigar e julgar condutas anticompetitivas de empresas e fusões ou aquisições que possam resultar em monopólios.

Falta de quórum Formado por sete membros (o presidente e seis conselheiros), o Tribunal do Cade exige um quórum mínimo de quatro pessoas para funcionamento. Com quatro cargos vagos, não há como o presidente instalar sessão ordinária de julgamento. Isso porque, apesar de votar e ter direito a pedir vista (mais tempo para análise), o presidente não pode relatar processos.

O Cade julga condutas anticompetitivas e, nos últimos anos, em especial depois da Operação Lava Jato, adquiriu contornos políticos por tocar em temas relevantes da política econômica.

A ocupação de cargos no Cade também é de interesse de deputados federais e senadores, que têm prerrogativa para pedir investigações, as quais são automaticamente transformadas em inquéritos administrativos, não dependendo de procedimento preparatório.

Revés na DPU O Senado sabatina os nomes dos futuros integrantes do Conselho, indicados pelo presidente da República. Recentemente, o governo Lula enfrentou um revés ao ver o nome do advogado Igor Roque rejeitado para assumir o cargo de defensor público-geral da Defensoria Pública da União (DPU).

No dia 25 de outubro, o plenário do Senado computou 38 votos contra a condução de Roque à vaga, 35 a favor e uma abstenção. Ele precisaria de, pelo menos, 41 manifestações favoráveis para assumir.

Senado: rejeição do indicado por Lula à DPU é inédita. Saiba detalhes

Ainda não há definição sobre a escolha do próximo indicado à Defensoria. O episódio aumentou a pressão e passou a exigir do chefe do Executivo federal mais negociação prévia antes do envio dos indicados que precisam do aval do Senado. Além do chefe da DPU, é o caso dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do procurador-geral da República (PGR) e dos diretores do Banco Central (BC), por exemplo.

Lula chama Pacheco no Planalto em meio à expectativa de anúncio de PGR

Comentários do Facebook

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mulher suspeita de desviar mais de R$ 2 milhões do “Bahiano de Tênis” é alvo de operação e presa em mansão em Busca Vida

Equipes do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) realizaram, na manhã desta terça-feira (10), uma operação para cumprir mandados de prisão contra uma mulher...

Casal foge de hospital após levar bebê morto com sinais de agressão

Um casal foi preso pela Polícia Militar acusado de envolvimento na morte de um bebê de 11 meses nesta segunda-feira (9/3), em Praia...

Irã diz que ataques com mísseis seguirão o “tempo que for necessário”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira, 9/3, que o país continuará atacando Israel...