Opinião: “Rachado”, PP consegue ajudar a governabilidade em qualquer esfera de poder

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O Progressistas reúne algumas idiossincrasias típicas do sistema político brasileiro. A principal e que tem eco em diversos membros da sigla é a existência justificada para dar “governabilidade” a quem está no poder. É impressionante, por exemplo, a velocidade com que alguns membros da legenda no Congresso Nacional tenham deixado de apoiar Jair Bolsonaro após a eleição e migraram esse apoio para Luiz Inácio Lula da Silva. Aqui na Bahia, o PP consegue ser governo e oposição ao governo de Jerônimo Rodrigues e estar fincado na gestão de Bruno Reis em Salvador.

 

Não é fácil de entender, principalmente por ser difícil explicar. Um dos expoentes do partido, Cacá Leão, é secretário de governo da capital baiana, depois de integrar a chapa majoritária do candidato derrotado ao governo da Bahia. Enquanto isso, os deputados estaduais migraram quase que instantaneamente para a base de apoio vencedora. E olha que essa bancada está dividida: uma parte deve permanecer no Progressistas e a outra deve ir para o Avante na primeira janela partidária disponível. Ainda assim, eles chegaram ao consenso que não dá pra sobreviver sendo oposição. Então há de um lado Cacá e João Leão (este último quase persona non grata no petismo baiano) e do outro os deputados estaduais que nunca esconderam a predileção pelo petismo na Bahia.

 

O presidente estadual e deputado federal Mário Negromonte Jr. é o responsável por equilibrar essa equação, apesar de indicar a preferência por estar ao lado do PT na Bahia. Tanto que, de vez em nunca, ele dá uma declaração um pouco mais provocativa contra Bruno Reis, numa tentativa de ampliar o espaço do partido na prefeitura de Salvador – a maioria das vagas pertence a Cacá e, por isso, existe esse tensionamento. A sigla então se prepara para 2024, quando o prazo de desincompatibilização deve provocar uma rearrumação de forças, seguido por um provável segundo mandato de Bruno.

 

O Progressistas então “come pelas beiradas”. Mordisca a prefeitura e também vai negociando espaços no governo baiano. O principal artífice dessas conversas é o deputado estadual Niltinho, que ganhou um assento no conselho político do governo Jerônimo, ao tempo em que já anunciou que vai apoiar o candidato do governador em Salvador – que nunca será Bruno Reis. Ou seja, o PP deve apoiar a reeleição do prefeito e um dos líderes da legenda na Assembleia não quer conta: vai estar com o outro lado.

 

Apesar de parecer “rachado”, dificilmente se vê uma briga ruidosa entre eles. E olha que ainda existe uma terceira força dentro da legenda, com Cláudio Cajado empenhado em ser cavaleiro de Ciro Nogueira, um falso bolsonarista que ainda não abandonou o barco. O Progressistas faz aquilo que nasceu pra fazer: dar governabilidade. Algo que faz com muita qualidade se comparada a outras siglas que integram o chamado “centrão”. Pode-se até discordar das ações, mas não dá pra negar a competência deles em transitar em todas as esferas de poder.

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