Vitória nega adiantamento de receitas da CBF, mas confirma pedido; estatuto não proíbe prática, que é comum

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O Vitória confirmou o pedido pelo adiantamento de receitas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente do clube, Fábio Mota, revelou que solicitou créditos relacionados às competições que o Leão participará em 2024. O valor, no entanto, ainda não foi recebido pelo clube. 

 

“O Vitória tem direito, no ano que vem, de jogar a Copa do Brasil (R$ 7,5 milhões), a Série A (mais de R$ 80 milhões) e a Copa do Nordeste (entre R$ 5 e R$ 6 milhões). Nesse fim de ano, o Vitória tem para pagar salário de dezembro, 13º de jogador, de funcionário, R$ 1,3 milhão de CNRD, mais R$ 1,1 milhão de Jordy Caicedo, R$ 2 milhões da Justiça do Trabalho. O Vitória tem, até dezembro, uns R$ 10 milhões para pagar. O que fizemos foi um pedido de antecipação de parte dessas receitas para saldar nossas dívidas. Não tem nada de ilegal, de errado nisso”, afirmou o gestor.

 

Nesta segunda-feira (27), durante o programa Os Donos da Bola, da TV Band, o apresentador Neto alegou que o Rubro-Negro teria recebido R$ 4 milhões em cotas antecipadas da CBF e que isso seria, de acordo com o estatuto da entidade, ilegal. O Bahia Notícias leu todo o estatuto e não encontrou nada que proíba a prática. 

 

Na verdade, ela já ocorreu em outras oportunidades. No início deste ano, por exemplo, os clubes participantes da Copa do Nordeste receberam pagamentos antecipados. Na ocasião, inclusive, o Vitória teve o valor bloqueado por causa de dívidas trabalhistas. 

 

Em 2022, o Bahia exerceu prática semelhante. Recém-rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro, o clube viu seu orçamento ser reduzido e recorreu à CBF para antecipar  parte das primeiras cotas pelas participações na Copa do Brasil e Copa do Nordeste.

 

O episódio foi revelado pelo presidente do clube, Guilherme Bellintani. “Existe antecipação de uma parte da primeira fase da Copa do Brasil do ano que vem, e uma pequena cota da Copa do Nordeste. Em torno de 1 ou 2 milhões de reais. Não temos outras antecipações de recebíveis futuros”, detalhou, no fim de 2021, ao Bahia Notícias. 

 

Vale lembrar que, no início de novembro, o Vitória recebeu uma notificação da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) solicitando o bloqueio de valores por causa de “dívidas com dois atletas contratados em gestões anteriores. 

 

O valor do pagamento que exige a CNRD no documento é de R$ 576.738,61. O Vitória alega que entrou em contato com o órgão para solicitar uma extensão do prazo para quitar a dívida, que se encerrou no dia 30 de outubro, mas teve o pedido negado.

 

A próxima janela de transferências será aberta no início de 2024. A cúpula rubro-negra trabalha para resolver a questão antes que a punição impeça o clube de contratar jogadores. 

 

O QUE DIZ A CBF

Em nota enviada ao Bahia Notícias, a CBF disse “respeitar rigorosamente seus compromissos e todas as normativas de legalidade e de probidade, bem como é fiel observadora de todas as boas práticas de governança corporativa, de compliance e de integridade”. 

 

Além disso, a entidade aponta que “não se não se curvará a certas opiniões publicadas, mormente aquelas que não têm preocupação com o bem estar do futebol brasileiro”. 

 

Confira a nota completa:

 

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) hoje respeita rigorosamente seus compromissos e todas as normativas de legalidade e de probidade, bem como é fiel observadora de todas as boas práticas de governança corporativa, de compliance e de integridade.

 

Hoje, a CBF tem em seus contratos cláusulas anticorrupção e é reconhecida pela FIFA por suas boas práticas, como ocorreu essa semana, quando a entidade máxima do futebol mundial mais uma vez elogiou a chegada de Eduardo Gussem para ser o Oficial de Integridade da entidade, destacando essa como mais uma medida de transparência e responsabilidade de gestão da entidade brasileira. A mesma FIFA que, não faz muito tempo, baniu da CBF figuras nefastas do futebol brasileiro. 

 

A fase sombria da entidade, em que era comum a prática de atos ilegais por dirigentes que foram banidos do futebol, acusados de corrupção e outros crimes, ficou no passado, embora alguns ainda não se conformem com isso.  A CBF segue firme no propósito de respeitar a legislação, ainda que  isso incomode quem sempre a desrespeitou.

 

A entidade respeita e irá respeitar a opinião pública, e não se curvará a certas opiniões publicadas, mormente aquelas que não têm preocupação com o bem estar do futebol brasileiro.

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