Dino: operação da PF vai fechar “via logística” de venda de armas

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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, chamou a imprensa nesta terça-feira (5/12) para detalhar a operação deflagrada pela Polícia Federal em torno de uma rede internacional de tráfico de armas para as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), com ramificações no Paraguai e nos EUA.

“Essa ação com Paraguai fará com que as duas maiores facções brasileiras, que eram destinatárias principais dessas armas ilegais, tenham o fechamento dessa via logística para a realização dessas operações”, disse o ministro. O esquema é suspeito de entregar 43 mil armas às facções, em uma movimentação em torno de R$ 1,2 bilhão durante três anos.

A operação, conduziada pela Justiça Federal da Bahia, contou com a cooperação internacional da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai e com o Ministério Público paraguaio.

Foram expedidos 85 mandados – 25 de prisão preventiva, seis de prisão temporária e 54 de busca e apreensão. No Brasil, os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Distrito Federal e Minas Gerais.

O alvo principal da operação é Diego Hernan Dirísio, considerado um dos maiores contrabandistas da América do Sul, mas que não foi localizado pelas autoridades policiais.

O superintendente da PF na Bahia, Flávio Albergaria, contou que a investigação começou em 2020, quando houve a apreensão de 23 pistolas e dois fuzis. Além da numeração raspada, as armas estavam com uma mudança da logomarca do fabricante.

“Mediante perícia técnica, conseguimos identificar o número de série (mesmo raspado) e fizemos o rastreio das armas”, explicou.

Com a identificação dessas armas apreendidas, os investigadores chegaram até a fabricante na Croácia e descobriu quem era o importador: o empresário argentino Diego Dirísio.

Sem tiros a esmo “Estamos diante de uma operação muito relevante, exitosa, que converge com outras que estamos fazendo no Rio, em São Paulo e em outros estados. Até o momento, temos 38 mandados cumpridos, sendo 19 de prisão, 21 difusões vermelhas na Interpol, além do bloqueio de R$ 66 milhões em bens, direitos e valores no Brasil”, ressaltou Flávio Dino.

Dino aproveitou a operação para defender ações mais inteligentes no combate ao tráfico de drogas, sem “dar tiros a esmo em operações em que brasileiros são mortos por balas perdidas”.

“Aqui não houve o disparo de um único tiro. Então, não houve bala perdida. Isso é combater o crime organizado de verdade”, afirmou.

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