Opinião: Petistas isolam PT e Geraldo Jr. deve ser candidato único do governo em Salvador

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As resistências não necessariamente foram superadas, mas dificilmente o PT vai conseguir adiar por mais tempo a indicação do vice-governador Geraldo Jr. (MDB) como candidato único do grupo governista à prefeitura de Salvador. A ação de lideranças de alto coturno como Jaques Wagner e o próprio governador Jerônimo Rodrigues foi decisiva para que o PT ficasse isolado dentro da base aliada estadual. E o anúncio não tarda. Pode acontece, inclusive, nesta quinta-feira (21).

 

O argumento que deve levar ao “convencimento” dos dirigentes petistas é que não é viável o apetite da legenda para manter candidaturas em municípios baianos como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari e Juazeiro e ainda insistir na natimorta tentativa de Robinson Almeida em se viabilizar na capital baiana. Como nas demais cidades, especialmente Feira, Conquista e Camaçari os nomes apresentados de Zé Neto, Waldenor Pereira e Luiz Caetano são viáveis eleitoralmente, não valeria o risco de ver uma fragmentação da base que venha a comprometer o que o grupo chama de “projeto” – numa referência à concepção da necessidade do alinhamento entre governos federal, estadual e municipal.

 

Ainda assim, o PT retesou a corda e ainda tenta, até o último momento, manter uma resistência, ainda que diminuta, à candidatura de Geraldo Jr. Porém já não era novidade que o vice conseguiu convencer que mereceria o apoio de cardeais petistas a partir do desejo (incontrolável) de tentar ser prefeito de Salvador. Antes mesmo da posse como vice, Geraldo Jr. já externava a vontade de comandar a cidade em que fora vereador e onde foi presidente da Câmara até um dia antes de mudar de posto.

 

Wagner, que na reunião do último domingo tentou intermediar a possibilidade de um incêndio, não costuma perder sem ganhar nada. Ao abrir espaço para o MDB e Geraldo Jr., o Galego reduz a eventual pressão sobre Jerônimo para manter um emedebista na chapa de reeleição (em 2026) e ainda consolida a possibilidade de ganhar nas outras cidades sem interferência de uma legenda que tem capilaridade histórica nesses colégios (lembremo-nos que Feira e Conquista reelegeram Colbert Martins e Herzem Gusmão, ambos do MDB, em 2020). Isso para ficar em apenas dois pontos possíveis de enxergar no médio e longo prazo.

 

O restante da esquerda, que já tinha abaixado a guarda e admitia a possibilidade de Geraldo Jr. candidato, não vai fazer objeções. Não dá para brigar com o governo quando se é pequeno e PCdoB, PV e PSB sabem disso. Logo, restavam os rompantes do PT para coibir a unificação em torno do vice. Não mais sobra esse espaço. E olha que o argumento da bancada de vereadores na Câmara chegou a encontrar eco em alguns poucos gatos pingados que incitavam a militância.

 

O vice leva a cabeça, mas não necessariamente o corpo. E é esse o principal desafio de Geraldo Jr. para se tornar efetivamente competitivo contra Bruno Reis. Engajar e convencer a militância de que ele não é uma versão soft do atual prefeito por estar temporariamente à esquerda, bem como um representante legítimo do que pensa a esquerda para a capital baiana. E essas forças são bem menos ocultas do que as que o vice usa com frequência em seus discursos.

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