Devotos celebram dia de Santa Bárbara no Centro Histórico de Salvador

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O dia 4 de dezembro em Salvador tem uma conotação especial. Devotos e fiéis se vestem de vermelho e branco para a celebração do dia de Santa Bárbara. A santa, uma das mais populares da Bahia, é conhecida como padroeira dos bombeiros e de profissionais, além de ser protetora contra tempestades e trovões. A comemoração inicia o calendário de festejos da Bahia. 

 

Conta-se que a história da santa é comemorada no dia 4 por ser o dia em que a então jovem fugiu para ser batizada durante uma viagem de seu pai. Durante a fuga, Bárbara teria sido capturada por ele mesmo, que a executou e cortou-lhe a cabeça com uma espada. 

 

Antes o pai de Santa Bárbara já tinha deixado a filha presa dentro de uma torre, por causa de ciúmes e não permitir que a jovem conhecesse pretendentes. Na torre onde ficou presa, havia duas janelas, mas Bárbara pediu que fosse construída uma terceira em honra à Santíssima Trindade.

 

Por sempre demonstrar a fé, após a sua morte, a jovem tornou-se mártir da igreja católica. Segundo o capelão da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, cônego Lázaro Muniz, a simplicidade e serenidade são os motivos que levam a santa a ser uma das mais populares da Bahia. 

 

“Eu creio que um dos elementos fortes de Santa Bárbara é a simplicidade dela. Ela revela uma vivência de fé serena, tranquila e ao mesmo tempo forte, decisiva, uma jovem que abraça o cristianismo e a fé com intensidade […]”, contou. 

 

Outro fato que faz com que Bárbara seja uma das mais admiradas é o sincretismo religioso. Em algumas religiões de matriz africana a santa é considerada como a orixá Iansã. Na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, uma missa é realizada em prol de Santa Bárbara, toda primeira quarta-feira do mês, com o acompanhamento de instrumentos africanos, em ritmo de afoxé. 

 

“A serenidade ancestral de Bárbara é uma prova disso. A gente celebra a missa da fé cristã católica só que com instrumentos africanos, com dança com muitas palmas, com muito incenso e cantos populares”, disse o padre. 

 

DEVOÇÃO E FÉ 

Um exemplo de devoção a Santa Bárbara é a empresária, Luz Marina. A devota realiza há 39 anos um caruru aberto ao público, no bairro do Tororó, em Salvador. A ideia de oferecer o prato foi iniciada após a fiel ficar desempregada e realizar pedidos para a santa. 

 

” A ideia do caruru foi quando eu fiquei desempregada. Eu não trabalhava mais para ninguém só para mim, só que depois consegui abrir um salão de beleza que fica do lado da minha casa e fiz um caruru para sete mulheres. No ano seguinte esse caruru aumentou, saiu daqui de casa, coloquei duas mesinhas e virou essa festa linda maravilhosa, que todo mundo participa. É o que tenho de mais gratificante na minha vida”, celebrou. 

 

O caruru de Luz Marina, que ocupa toda a rua Futuro do Tororó, é feito com mais de 10 mil quiabos. Antes de ser oferecido o prato típico, uma missa campal também acontece no local. 

 

“Temos uma banda de música, procissão, missa, vai ter tudo no mesmo rituais. Não sei explicar essa devoção por essa santa. Ontem mesmo fui no mercado de Santa Bárbara fiz a doação que faço todo ano lá, pois ganho tanto. [..] É uma devoção inexplicável, uma coisa de amor e paixão”, observou. 

 

A devota que é iniciada em religião de matriz africana, sendo filha do orixá Iansã, ainda disse que o sincretismo e associação entre a santa e a orixá seria uma conjuntura de forças. 

 

“Acho que tudo isso [sincretismo religioso] é uma conjuntura. Tudo isso faz parte, faz uma irradiação, uma magia, um poder de forças que é inexplicável. Faço minhas oferendas e rituais de formas particulares. Sou feita de santo, filha de Iansã e faço meus rituais. O acarajé e o caruru de Santa Bárbara são as comidas dela. As forças dela, uma das forças dela é a sua comida”, explicou. 

 

Quem também tem história de fé e devoção é a médica Tânia Trajano. Todo mês de dezembro, ela promove um caruru para familiares e amigos. 

 

“Santa Bárbara para mim é tudo, amo de paixão. Ela é minha mãe, minha amiga é minha irmã, é tudo para mim. Desde jovem gosto dela. Me casei na igreja dela, no bairro da Liberdade, porque amo ela, me sinto bem em fazer tudo para ela. Por causa dela criei e formei meus filhos. […] Faço caruru todo ano para ela. Sinto a fé que eu acho que ela está ali comigo é incrível é incrível. Amo Santa Bárbara e tenho muita fé”, pontuou. 

 

A festa da santa é celebrada nesta segunda-feira com missa campal no Pelourinho e seguida de procissão pelo centro da cidade. Já as 12h, o Corpo de Bombeiros de Salvador vai distribuir 1500 quentinhas de caruru em honra a sua padroeira. 

 

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