Daniel Silveira: PGR nega semiaberto, mas valida abater pena por cursos

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A Procuradoria-Geral da República deu parecer contrário ao pedido da defesa do ex-deputado Daniel Silveira para ele já pudesse cumprir o restante de sua pena de oito anos e nove meses de prisão em regime semiaberto. A progressão seria uma consequência do abatimento dos dias em que o parlamentar cumpriu medidas cautelares – como o uso de tornozeleira eletrônica -, mas o Ministério Público Federal não concordou com tal remissão.

O órgão aponta que o cálculo dos advogados de Silveira – que, na avaliação da defesa, justificariam o regime mais brando de cumprimento de pena – não se aplica ao caso do ex-parlamentar, vez que só pode ser usado em casos de crime ‘cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça’.

De outro lado, o vice-procurador-geral da República Hindenburgo Chateaubriand Filho concordou com a homologação das horas de estudo e trabalho devidamente comprovadas pelo Presídio Público Pedrolino Werling de Oliveira, onde Silveira está custodiado.

Segundo a administração da prisão, Silveira fez cinco cursos técnicos à distância: direito e economia; metrologia; preparação em logística; assistência contábil; e lógica contábil. Silveira participou das atividades entre maio e setembro do ano passado.

Em agosto, ele começou a trabalhar na faxina do presídio, com auxiliar de serviços gerais, também com o objetivo de obter remissão de pena. Segundo os relatórios de atividades laborativa, Silveira conseguiria abater 19 dias de sua pena: cinco pelo trabalho feito em agosto; sete, pelas atividades de setembro; e sete pelos dias trabalhados e outubro.

Além disso, a ficha do ex-parlamentar mostra que ele leu dois livros para abater dias de sua pena: O homem que calculava, de Júlio César de Mello e Souza; e O processo, de Franz Kafka.

Em 2019, o escritor checo lido por Silveira virou anedota por um deslize cometido por outro aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.

Na época, durante sabatina na Comissão de Educação do Senado, Weintraub confundiu Kafka com kafta – tradicional comida árabe – ao mencionar um processo administrativo que sofreu enquanto era professor na Unifesp.

“Eu sofri um processo administrativo interno, mas, durante um ano e oito meses, eu fui investigado, processado e julgado. No processo estava escrito inquisitorial e sigiloso. Que eu saiba, só a Gestapo fazia isso. Ou no livro do ‘Kafta’ ou a Gestapo”, disse o ex-ministro.

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