Opinião: Bolsonaro defende “minuta de golpe” para pedir que Brasil “passe borracha” e anistie presos do 8 de janeiro

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Com um discurso extremamente comedido para os próprios padrões, o ex-presidente Jair Bolsonaro conseguiu o que queria com o ato na Avenida Paulista: uma fotografia com milhares de apoiadores que possa transparecer que o “povo está ao lado dele”. Em uma fala de auto-exaltação, o ex-presidente defendeu a “minuta de golpe”, evitou criticar diretamente adversários e pediu anistia para os presos no 8 de janeiro de 2023.

 

Primeira grande aparição pública de Bolsonaro após investigações da Polícia Federal aproximarem a orquestração de um golpe de Estado dele, o ex-presidente ironizou as motivações para que ele tenha sido sucessivamente “atacado” desde antes de chegar à presidência da República e intensificada após ele deixar o Palácio do Planalto. 

 

Em um determinado momento, Bolsonaro chegou a sugerir que a minuta pedia uma intervenção com base na Constituição, o que automaticamente a descartaria como uma tentativa de golpe à República – ou seja, admitiu que o documento era de seu conhecimento e mereceu ter sido debatido internamente. Nessa oportunidade, ele pregou que o país passasse uma borracha para esquecer o passado.

 

Ao lado dele, estavam bolsonaristas “raízes” e lideranças neopentecostais, capitaneadas pelo pastor Silas Malafaias, que frisaram durante as falas o caráter de vítima do ex-presidente frente a eventuais abusos de “alguns”. Foi um evento em tom messiânico, ao fim e ao cabo, como era esperado. De Michelle Bolsonaro aos políticos de maior proeminência, o ato na Paulista foi um “suco” das falas pregadas pelos apoiadores de Bolsonaro antes, durante e após a passagem dele pela presidência.

 

Não dá para tratar como um teatro de absurdos. Foi tudo dentro do esperado, desde a defesa de um evento de paz estando o próprio Bolsonaro usando um colete à prova de balas, até o roteiro em que a facada foi rememorada e o resultado das eleições em 2022 tenha sido questionado, ainda que de maneira tangencial.

 

Para efeitos práticos, o ex-presidente manteve cativa e ativa a militância a seu favor, que agora ganha novo reforço de que a “nação” está em defesa das liberdades através do neovitimismo de que ele agora é o grande alvo dos esforços para retirar um político da cena – em moldes relativamente similares ao que os petistas argumentavam quando, em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva foi inviabilizado de participar do pleito.

 

O retrato da Paulista é o que o bolsonarismo precisava. A leitura feita por Silas Malafaia, que tomou a frente da organização, e do entorno de Bolsonaro foi bem feita. Não deixa de ter certo nível de coação para quem prefere evitar um cenário de embate civil ao enfrentamento que o 8 de janeiro mostrou como possível. Pensar diferente disso é não enxergar que a divisão política permanece tão forte como nos últimos anos.

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