União quer manter Juscelino, indiciado e sob pressão, no governo

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O ministro das Comunicações do governo Lula, Juscelino Filho, pressionado por petistas para uma possível saída depois de ser indiciado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de participação em organização criminosa e crime de corrupção passiva, tem amplo apoio dentro do seu partido, o União Brasil. Desde quarta-feira (13), quando foi indiciado, o chefe da pasta ganhou defesa conjunta dos líderes do partido dentro do Congresso Nacional, que defendem sua permanência no cargo.

 

A leitura feita por parlamentares da bancada da legenda no Congresso é de que o ministro desempenha bem a função no comando do Ministério das Comunicações. O líder do União na Câmara dos Deputados, Elmar Nascimento (União Brasil-BA), cotado para a presidência da Câmara em 2025, defendeu Juscelino na reunião interna da bancada de deputados após o indiciamento.

 

O União Brasil avalia que a tendência é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois da volta da viagem internacional, mantenha o ministro no cargo. Isso porque o argumento usado por congressistas é de que as bancadas da sigla no Congresso entregam votos ao Planalto, inclusive mais do que PP e Republicanos, por exemplo, que também têm espaço na Esplanada na gestão petista.

 

Nesta quinta-feira (13), Lula disse que Juscelino “tem o direito de provar que é inocente”. O presidente também afirmou que, até o momento, não conversou com Juscelino Filho e que ainda vai “tomar uma decisão sobre esse assunto”.

 

Família Bolsonaro silencia

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e filhos silenciaram nas redes sociais sobre o indiciamento do ministro. A família, principal opositora da gestão petista, não usou o episódio para comentar negativamente sobre o governo Lula. Um dos motivos que explicam o silêncio é que os crimes teriam sido cometidos no período da gestão do ex-chefe do Executivo.

 

Investigação da PF a ministro de Lula

A Polícia Federal (PF) indiciou o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil-MA), por suspeita de participação em organização criminosa e crime de corrupção passiva.

 

As suspeitas envolvem desvios de, no mínimo, R$ 835,8 mil referentes a obras de pavimentação custeadas com dinheiro público da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

 

A investigação tinha, inicialmente, o objetivo de apurar possíveis desvios em obras da Codevasf, em especial as executadas pela empresa Construservice, cujo sócio oculto, de acordo com a PF, é o empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP.

 

O ministro passou a ser investigado após mensagens entre ele e Eduardo DP serem encontradas no celular do empresário, apreendido pela Polícia Federal na primeira fase da Operação Odoacro.

 

Para a PF, as mensagens analisadas no inquérito reforçam a “atuação criminosa de Juscelino Filho” e demonstram que a “sua função na Orcrim (organização criminosa) era conhecida por todos os membros” do suposto grupo chefiado por Eduardo DP.

 

Desvio de dinheiro

Ao longo das diligências, a PF mapeou três caminhos utilizados pelo ministro Juscelino Filho para desviar cerca de R$ 835,8 mil de contratos da Codevasf: pavimentação de estrada, que beneficiava as propriedades dele; indicações de pagamentos a terceiros; e contratação da empresa Arco, que a Polícia Federal suspeita ser do próprio Juscelino.

 

Os investigadores ainda identificaram transações entre a Arco e Eduardo DP.

 

O ministro Juscelino Filho respondeu às acusações em nota divulgada à imprensa. Segundo ele, o “indiciamento é uma ação política e previsível, que parte de uma apuração que distorceu premissas, ignorou fatos e sequer ouviu a defesa sobre o escopo do inquérito”.

 

O ministro das Comunicações afirmou, também, que confia na Justiça. “A Justiça é a única instância competente para julgar, e confio plenamente na imparcialidade do Poder Judiciário”, afirmou.

 

“Minha inocência será comprovada ao fim desse processo, e espero que o amplo direito de defesa e a presunção de inocência sejam respeitados”, concluiu a nota.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

“Gratificação Faroeste”: Alerj diz a Moraes que polícia tem dever legal de matar em situações extremas para salvar vítimas

A Procuradoria-Geral da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, um ofício defendendo...

Juiz de Fora recebe apoio de militares do Exército após fortes chuvas

Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, enfrenta fortes temporais que, até esta quarta-feira (25/2), deixaram 42 mortos e 17 desaparecidos. ...

Moraes e Zanin votam pela condenação dos irmãos Brazão por morte de Marielle Franco

Meta descrição: STF avança o julgamento do assassinato de Marielle Franco, com Moraes e Zanin votando pela condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho...