Saiba qual é o perfil das 6,9 mil pessoas assassinadas no DF na década

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O Distrito Federal registrou, pelo menos, 6.967 homicídios entre 2012 e 2022. Os dados estão no Atlas da Violência, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e revelam o perfil das pessoas assassinadas no DF. As maiores vítimas desse tipo de crime na capital federal são de homens jovens, de 15 a 29 anos, principalmente os negros.

Os dados demonstram, ainda, que 4.620 pessoas foram vítimas de armas de fogo: 66,3% dos assassinatos do DF foram causados por pistolas, espingardas e outros tipos de armamentos. Além disso, um outro tópico importante é o número de homicídios ocultos,  classificados pelo Ipea como situações em que o Estado não consegue identificar. Foram 145 mortes do tipo entre 2012 e 2022 no DF.

Faixa etária Considerando todos os homicídios registrados no DF, foram 129 (1,85%) de bebês e crianças; 3.606 (51,75%) de adolescentes e jovens; e 3.232 (46,39%) de adultos e idosos. Ou seja, mais da metade dos assassinatos ocorreram contra pessoas entre 15 a 29 anos.

No âmbito nacional, 18 Unidades da Federação (UFs) apresentaram redução na taxa de homicídios registrados de jovens, entre 2012 e 2022, com o Distrito Federal, São Paulo e Goiás obtendo reduções respectivas de 72,1%, 58,9% e 49,0%, ao passo que houve significativo aumento da taxa de homicídio juvenil nos estados do Piauí (64,6%), Bahia (23,5%) e Amazonas (19,5%).

Cor da pele O Distrito Federal registrou 5.694 homicídios de pessoas negras entre 2012 e 2022. Isso representa um assassinato contra o grupo a cada 16 horas dentro do território da capital federal. Os números indicam 1,41 homicídio de pessoas negras por dia no DF, ou 9,92 mortes por semana.

Em relação às pessoas não-negras, baseando-se no mesmo período, foram 1.175 homicídios, indicando um óbito violento a cada 3 dias e 10 horas. O número de homicídios contra negros no DF é 384% maior que as mortes violentas cometidas contra outras pessoas.

Gênero Do total de assassinatos últimos anos, Brasília registrou 609 homicídios contra mulheres. A tipificação penal é diferente do crime de feminicídio, que se dá em razão de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Com a separação por cor da pele, foram 451 assassinatos de mulheres negras.

Homens jovens são o grupo social mais exposto às mortes violentas cometidas no DF. Em 2022, eles representam 40% de todos os homicídios, mas as taxas eram maiores anteriormente, chegando a marca de 50,31% em 2012, o que demonstra 131,9 assassinatos a cada 100 mil habitantes.

Segundo o Atlas da Violência, em 2022, havia 46,6 homicídios para 100 mil jovens no Brasil, e 86,7 mortes em relação aos homens jovens. “De modo geral, a análise da violência contra homens jovens não muda ordinalmente entre as UFs. Apenas o patamar da taxa muda, naturalmente, com o estado menos violento (São Paulo) com taxa de 19,9 e o estado mais violento (Bahia) com taxa de 218,9 homicídios para cada cem mil homens jovens”, aponta o relatório.

Diminuição dos assassinatos no DF Brasília teve, em 2022, 13 homicídios a cada 100 mil habitantes, a segunda menor taxa entre as 27 capitais brasileiras, segundo o levantamento. A capital federal perde apenas para Florianópolis (SC), que teve 8,9 assassinatos a cada 100 mil.

A pesquisa também avaliou os índices entre os anos de 2012 e 2022. Durante essa década, o número total de homicídios registrados em Brasília caiu de 961, em 2012, para 365, em 2022, uma redução de 62%. Além disso, a capital registrou queda no número de ocorrências do crime a cada ano da pesquisa.

Os fatores apresentados pelo levantamento para explicar a boa posição da cidade no ranking são as ações inter-setoriais implantadas no trabalho policial, com foco nos esforços de inteligência, e o investimento em políticas voltadas para a segurança pública.

Para a comandante da Polícia Militar da Polícia Militar (PMDF), Ana Paula Habka, a ação integradas das forças da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) foi fundamental para esses resultados.

“O empenho da nossa corporação, bem como a integração e a integralidade das forças de segurança do DF, tem, de fato, desempenhado um papel crucial para Brasília ser considerada a segunda capital mais segura do Brasil”, declarou a comandante.

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