TikTok e pet shops: como tias acharam acusado de matar mãe por herança

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São Paulo – As irmãs de Márcia Lanzane, que teria sido morta pelo filho, Bruno Eustáquio Vieira, em dezembro de 2020, investigaram por conta própria o paradeiro do sobrinho. O crime ocorreu no Guarujá, litoral de São Paulo, e o rapaz foi preso pela polícia na última segunda-feira (8/7) em Belo Horizonte, em Minas Gerais, após informações repassadas pelas tias, que usaram até o TikTok para investigar o paradeiro dele.

Minervina Lanzane de Quadra e Mariusa de Quadra, em entrevista ao G1, disseram que uma denúncia anônima foi essencial para a localização de Bruno.

5 imagensFechar modal.1 de 5Irmã de mulher morta desabafa sobre prisão de sobrinho, autor do crime

Reprodução/ Instagram2 de 5Bruno Eustáquio Vieira, de 23 anos, foi preso pela PM de Minas Gerais

Reprodução/Redes Sociais3 de 5Bruno chegou a postar mensagens sobre a morte da mãe

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Reprodução/ Facebook “Tive informações de que a ex-namorada que ele arrumou em Curitiba [cidade para onde foi] após fugir do Guarujá tinha se mudado pra Belo Horizonte. E aí surgiu a dúvida se ela não poderia estar acobertando”, afirmou.

Com a informação de que uma ex-namorada dele havia se mudado para Belo Horizonte, as irmãs passaram a pesquisar pistas nas redes sociais dela e desconfiaram de um perfil no TikTok com gatos e um cachorro.

“Apareceu um vídeo desse perfil que havia uma mão fazendo carinho no gato e uma voz com efeito. Porém, o jeito de falar me chamou a atenção e comecei a assistir todos os vídeos”, contou Mariusa ao G1.

Minervina também confirmou a suspeita: “Sem dúvidas nenhuma, não tinha como não reconhecer que era a mão dele, que era a voz dele distorcida”.

As irmãs viajaram para Belo Horizonte atrás de Bruno e passaram a visitar pessoalmente as lojas de pet shop que seguiam aquele perfil.

Nos comércios locais, as irmãs apresentavam a foto de Bruno e perguntavam sobre ele, que era conhecido pelas pessoas como Felipe. Foi assim que descobriram o local onde o sobrinho morava com a namorada.

“Essa luta não foi só nossa, foi de todos que seguiram a página [de buscas por Bruno], que fizeram denúncias mesmo não sendo ele”, disse Mariusa ao portal.

Crime por herança Márcia morreu em 21 de dezembro, dia do aniversário da irmã Mariusa, que, depois da prisão do sobrinho, escreveu:  “O presente que você me deu no dia do meu aniversário estou te devolvendo hoje como presente adiantado”.

Bruno foi flagrado por câmeras de segurança da casa onde morava com a mãe no Guarujá, em São Paulo. As imagens mostram uma luta corporal entre os dois. Na sequência, os dois caem no chão e Bruno esgana a mãe. As imagens ainda mostram o filho verificando os batimentos cardíacos da mulher e logo depois volta para sala para assistir à televisão.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decretou a prisão de Bruno por homicídio doloso (quando há intenção de matar) em junho de 2021 e, desde então, o homem estava foragido.

Segundo denúncia do Ministério Público, Bruno teria matado a própria mãe por interesse na herança que seria deixada por ela.

Ao longo da investigação, testemunhas disseram que o jovem começou a sair com amigos de alto poder aquisitivo e a frequentar festas e restaurantes caros. Bruno e a mãe brigavam constantemente pelo fato de Márcia não conseguir arcar com os gastos do filho.

A defesa de Bruno nega as acusações feitas pelo MPSP. O advogado do suspeito, Anderson Real, afirma que a hipótese apresentada de que ele queria conseguir o valor do seguro não foi comprovada.

“Não há nenhum documento nesse sentido no processo. O Bruno nega veementemente essa hipótese. O único bem que a mãe possuía era a casa e um carro”, alega. Ele ainda afirma que tentará revogar o pedido de prisão e que, caso não consiga, Bruno pensa em se entregar à polícia.

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