Incluir taxação de super-ricos em comunicado do G20 é conquista moral, diz Haddad

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**Inclusão de Taxação para Super-Ricos no Comunicado do G20 – Haddad Celebra Conquista Ética**

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua alegria nesta quinta-feira (25) pela inserção da proposta de taxação para os super-ricos no comunicado do G20 e enfatizou que a aprovação de uma declaração sobre tributação internacional é uma “conquista ética”.

O líder da equipe econômica reconheceu, porém, que o avanço desse tipo de proposta a nível global tem sido “relativamente lento”, mencionando o pilar 1 da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), relacionado à taxação de grandes multinacionais, que está em debate há quase uma década nos fóruns mundiais.

“Esta é uma conquista de natureza ética, em primeiro lugar. Buscamos justiça tributária, evitamos a evasão fiscal, reconhecemos práticas inaceitáveis em um mundo com tanta desigualdade e desafios, e procuramos corrigir essa injustiça enfrentando um assunto que, a julgar pela manifestação de 20 países, os mais ricos do mundo, é de extrema importância. Não considero isso insignificante”, afirmou Haddad. As informações são da Folha de S.Paulo.

Haddad admitiu que houve resistência em algumas questões por parte dos negociadores, mas destacou o apoio recebido pelo Brasil. Ele também ressaltou que houve um reconhecimento da necessidade de avançar na questão tributária mundialmente.

“Claro que há preocupações e ressalvas, há preferências por outras soluções, mas no final, todos concordamos que era necessário incluir essa proposta, como uma que merece a devida atenção e mobilização dos organismos internacionais e do próprio G20 para que, mesmo após o Brasil deixar a presidência, esse tema não perca sua importância, continuando na agenda econômica da tributação internacional.” A partir de dezembro, a África do Sul assumirá a presidência do G20.

De acordo com Haddad, o documento dedicado exclusivamente à discussão tributária e o comunicado mais amplo sobre diversos aspectos da economia global serão publicados simultaneamente nesta sexta-feira (26).

“Tudo fica para o final, pois por vezes uma palavra pode ser alterada e ninguém deseja divulgar um documento que ainda possa passar por uma pequena revisão técnica ou de redação”, afirmou.

O texto negociado não deve apresentar uma promessa de implementação de um sistema de taxação internacional para os super-ricos. Em um tom mais suave, deve reiterar o compromisso dos países com a promoção do “diálogo global sobre tributação justa e progressiva”, incluindo “indivíduos com patrimônio líquido muito elevado.

O Brasil defende a proposta elaborada por Zucman, que sugere um imposto global de 2% sobre o patrimônio dos cerca de 3 mil super-ricos – equivalente a US$ 250 bilhões (cerca de R$1,4 trilhão) de potencial de arrecadação anual.

Ao longo do processo, o país teve que fazer concessões para conseguir incluir no texto uma menção, sem promessas, à proposta de taxação para super-ricos, principal bandeira do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na trilha financeira do G20. O bloco é composto pelas 19 principais economias do mundo, além da União Europeia e da União Africana.

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