Após ultrapassar os R$ 5,85 no início das negociações, o dólar à vista perdeu força ao longo da tarde, devido à redução dos receios de recessão nos EUA, encerrando esta segunda-feira (5) em alta moderada, cotado a R$ 5,74. O real teve um desempenho positivo em comparação com outras moedas, especialmente o peso mexicano e o rand sul-africano, que sofreram quedas superiores a 1% em relação ao dólar americano. Mais uma vez, a formação da taxa de câmbio foi influenciada pelo cenário externo. Com o derretimento das bolsas asiáticas, o índice Nikkei no Japão registrou a maior queda diária desde outubro de 1987, resultando na abertura do dólar à vista no valor máximo do dia, a R$ 5,8656, o maior intradia desde 9 de março de 2021.
O impacto da leitura do relatório de emprego nos EUA, divulgado na sexta-feira (2), e dos resultados abaixo do esperado das big techs, gerou aversão ao risco, com o índice VIX subindo mais de 100%. Parte dos investidores começou a especular sobre a possibilidade de o Federal Reserve realizar um corte extraordinário na taxa de juros devido aos sinais de desaceleração da atividade nos EUA. A busca por refúgio em Treasuries e no iene afetou principalmente as moedas de países com altas taxas de juros, impactadas pela reversão das operações de “carry trade” financiadas com empréstimos na moeda japonesa.
A pressão de compra diminuiu um pouco no final da manhã com a divulgação do aumento do índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) no setor de serviços nos Estados Unidos. O índice subiu de 48,8 em junho para 51,4 em julho, superando as expectativas dos analistas, que previam um aumento para 51. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade. Houve também uma redução nos ganhos do iene em relação ao dólar, ainda acima de 1%, e menor interesse em Treasuries. Operadores afirmam que a diminuição da pressão externa permitiu a realização de lucros no mercado interno, especialmente no segmento futuro, com o contrato de dólar para setembro entrando em terreno negativo.
Com uma mínima de R$ 5,7132, o dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 5,7414, representando uma alta de 0,56%. Nos três primeiros pregões de agosto, a moeda americana já acumula ganhos de 1,52%, levando a uma valorização no ano de 18,30%. Apesar de ter sofrido menos nos últimos dias em comparação com outras moedas, o real possui o pior desempenho em 2024 entre as moedas mais relevantes.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Carolina Ferreira

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