A verificação foi conduzida por jornalistas do Projeto Comprova, voltado para combater a desinformação, que inclui o Metrópoles como parceiro. Saiba mais sobre essa iniciativa aqui.
Local da publicação: TikTok.
Conclusão do Comprova: Foi confirmado como falso o boato de que a Polícia Federal emitiu um comunicado negando a veracidade do suposto esquema de venda ilegal de joias recebidas de autoridades estrangeiras durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente e outras 11 pessoas foram indiciadas nesse caso. Apesar de ter feito declarações irônicas sobre a investigação, também é mentira que Bolsonaro compartilhou um vídeo afirmando que a Polícia Federal “desmentiu a situação”.
Embora já tenham sido apresentados elementos contrários, comentários na publicação indicam que alguns usuários acreditaram na veracidade do vídeo. “Eu sempre confiei na sua honestidade”, escreveu um usuário. “Eu sou patriota, e sei que você, meu presidente, é um homem honesto e se preocupa com nossa nação!”, afirmou outro.
No início de julho, a Polícia Federal indiciou Bolsonaro e outras 11 pessoas em uma investigação sobre um possível esquema de desvio de presentes recebidos durante seu mandato, com o objetivo de vendê-los fora do Brasil. Durante a divulgação do indiciamento, a Polícia Federal reconheceu erros nos dados divulgados.
Inicialmente, foi apontada uma tentativa de desvio no valor de US$ 4,5 milhões (R$ 25 milhões). Posteriormente, a cifra foi corrigida para US$ 1,2 milhão (R$ 6,8 milhões), sob a justificativa de um erro material no documento.
Diante dessa correção, Bolsonaro ironizou o relatório. “Aguardemos muitas outras correções. A última será aquela dizendo que todas as joias ‘desviadas’ estão na CEF [Caixa Econômica Federal], acervo ou PF, inclusive as armas de fogo”, disse o presidente em uma publicação.
Em comunicado, a Polícia Federal declarou que divulga suas operações em seu site e que “qualquer informação circulando nas redes sociais que não tenha saído de nossos canais oficiais de comunicação é de total responsabilidade de quem a divulgou”. O órgão também destacou que não comenta sobre investigações em andamento.
A equipe de reportagem procurou o perfil responsável pela postagem do vídeo, identificado como “Volta Bolsonaro”. O usuário respondeu com críticas ao trabalho realizado pelo Comprova e com palavras ofensivas. Em resposta à solicitação de entrevista, um dos questionamentos feitos pela reportagem dizia respeito a…
O processo de produção do vídeo não foi revelado. Na resposta dada pelo autor da postagem, ele afirmou que não iria fornecer informações sobre como fez o vídeo.
Segundo o Comprova, algo é considerado falso quando se trata de conteúdo inventado ou que passou por edições para alterar seu significado original, sendo divulgado de forma intencional para espalhar uma falsidade.
O Comprova investiga conteúdos suspeitos que possuem maior alcance nas redes sociais. Até o dia 2 de agosto, a publicação alcançou 519 mil visualizações, recebeu 41,4 mil curtidas e foi compartilhada 6,8 mil vezes.
Durante a apuração, foram consultadas fontes para verificar se o vídeo foi compartilhado nas redes sociais de Bolsonaro. Além disso, foram pesquisadas ferramentas que poderiam ter sido utilizadas na produção do material. Reportagens sobre o tema publicadas em diversos jornais foram analisadas, e também foi feito contato com a Polícia Federal.
A investigação dessa publicação foi motivada pelo monitoramento constante de conteúdos suspeitos divulgados nas redes sociais e aplicativos de mensagens relacionados a políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. O Comprova inicia investigações para publicações que recebem alto alcance e engajamento. Sugestões de verificação podem ser enviadas via WhatsApp para +55 11 97045-4984.
Além do Comprova, outros veículos de verificação, como o Estadão Verifica e a Lupa, também confirmaram que o vídeo em questão é falso. Em verificações anteriores, o Comprova desmentiu a informação de que Rayssa Leal teria dedicado sua medalha olímpica a Bolsonaro em uma entrevista, e também a notícia de que Malu Mader e a TV Globo teriam recebido recursos da Lei Rouanet para uma novela.
Esta verificação foi realizada com a colaboração de jornalistas que fazem parte do Programa de Residência no Comprova.

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