Marçal replica lógica dos negócios e aposta em factoides para prender atenção do eleitor

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Marçal replica a lógica dos negócios e aposta em factoides para prender a atenção do eleitor. Segundo o influenciador Pablo Marçal (PRTB), “Isso aqui vira um corte”, destacando sua estratégia antes de responder às perguntas. Com mais de 12 milhões de seguidores no Instagram, Marçal estimula competições entre criadores de cortes com maior engajamento, premiando com valores em dinheiro.

O empresário desperta a atenção para os “cortes” – vídeos curtos que viralizam rapidamente nas redes sociais, nos quais ele apresenta falas polêmicas ou inusitadas. Seu império digital vem sendo questionado por adversários políticos, alegando abuso de poder econômico. A deputada Tabata Amaral (PSB) solicitou ao Ministério Público Eleitoral a abertura de um inquérito contra o influenciador.

Marçal descreve sua trajetória nos moldes da jornada do herói, partindo de origem simples até a construção de um patrimônio declarado à Justiça Eleitoral de mais de R$ 193 milhões. Ele se tornou referência no ramo do infoproduto, vendendo cursos e mentorias que variam de R$ 20 mil a R$ 250 mil.

O influenciador utiliza técnicas do mundo digital em sua campanha política pela prefeitura, destacando-se por bravatas, polêmicas, ataques e propostas inusitadas. Beto Vasques, professor de comunicação política, enaltece a habilidade de Marçal em aplicar ferramentas digitais de forma inovadora.

Antes de anunciar sua pré-candidatura, Marçal se tornou alvo de memes na internet, com a viralização de seus discursos, incluindo ensinamentos inusitados. Em entrevista, Marçal defende a estratégia de alcançar o maior número possível de pessoas, visando fidelizar o público posteriormente.

O empresário destaca a eficácia de sua abordagem ao afirmar que gastou menos dinheiro com publicidade, graças à estratégia dos “cortes”. Ele enfatiza: “Esse cara é de verdade”. Marçal reconhece que sua estratégia pode parecer tosca, mas ressalta que o importante é conquistar a confiança do público.

Em sua visão, os brasileiros têm dificuldade em cuidar de si mesmos e acredita que sua abordagem direta e polêmica é a chave para chamar a atenção e gerar engajamento. Com um estilo único, Pablo Marçal adota medidas controversas para se destacar no cenário político e midiático.

Samuel Pereira, um nome destacado no mundo dos negócios, influenciador e especialista em marketing digital, destaca a habilidade de Marçal em compreender o “jogo da atenção” como um fator crucial para seu crescimento exponencial nas redes sociais, superando os demais pré-candidatos. Para Pereira, a abordagem de Pablo sempre busca o inesperado e polêmico, seja através de postagens ou vídeos que surpreendem o espectador desde os primeiros segundos, garantindo maior retenção de atenção e relevância algorítmica.

No contexto político, essa estratégia se manifesta através de ataques agressivos contra seus oponentes, como ocorreu durante o debate na Band, quando Marçal atacou Tabata, chamando-a de adolescente e depreciando sua imagem publicamente. Essa postura controversa não só gera impacto imediato, mas também alimenta um constante clima de suspense em torno de informações sigilosas que apenas ele detém e que podem ser reveladas a qualquer momento, como alegações infundadas sobre adversários.

O professor Beto Vasques define a abordagem de Marçal como um “método específico” baseado em polêmica, conflito e entretenimento, projetado para competir pela atenção em uma era de sobrecarga de estímulos. Segundo Vasques, o objetivo principal do empresário é chocar para atrair novos seguidores, conquistando-os com conteúdos mais sólidos e reconstruindo sua imagem gradualmente.

Sem compromissos partidários ou acordos complexos, Marçal possui maior liberdade de ação em relação aos demais pré-candidatos, aproveitando a corrida eleitoral não apenas para buscar a vitória, mas também para ampliar sua visibilidade e potencializar sua base de clientes.

Os números apresentados por Samuel Pereira são reveladores do crescimento vertiginoso de Marçal nas redes sociais nos últimos meses, com um número significativamente maior de seguidores em comparação a concorrentes como Ricardo Nunes e Guilherme Boulos. Além das polêmicas e estratégias de engajamento, Marçal tem incorporado técnicas de negócios em sua pré-campanha, como a utilização de “copy”, textos persuasivos com forte apelo emocional, uma prática com a qual está familiarizado e que já demonstrou eficácia em contextos anteriores.

Essa multiplicidade de abordagens e táticas adotadas por Marçal reflete sua determinação em se destacar no cenário político e midiático, utilizando a controvérsia, o suspense e o entretenimento como instrumentos-chave para conquistar e manter a atenção do público, enquanto se projeta como uma figura influente e em constante ascensão no universo político e empresarial.No debate da Band, um dos participantes afirmou: “Eu sou o candidato mais próspero aqui. Já paguei mais impostos do que tudo que vocês já geraram de riqueza na vida juntos. Eu de fato posso colocar toda a minha disposição, já resetei esse jogo da vida, construí o que eu quis, saí da periferia. Eu quero que até você que está aí na periferia mais pobre (…) saiba que você, seu filho, vai prosperar”.

Outra estratégia observada é o uso de termos específicos, que criam uma linguagem compartilhada entre seus seguidores, gerando uma sensação de pertencimento ao grupo. Por isso, é comum ouvir Marçal utilizar palavras-chave como “prosperar”, “destravar”, “pegar o código”. “Essas frases são todas intencionais, visando serem lembradas e permanecerem no inconsciente coletivo”, afirmou o empresário em uma entrevista ao canal AchismosTV.

Vasques também menciona a recorrência das promessas como uma tática oriunda da venda de infoprodutos. “Sempre há uma promessa, inicialmente mirabolante, mas com garantia ou com um testemunho de fé. ‘Faça meu curso e aprenda inglês em seis meses. Se não aprender, eu devolvo o dinheiro.'”, explica.

No caso de Marçal, isso se reflete em promessas ou propostas exageradas ou fora do comum, como quando ele diz que “vai levar São Paulo para 2050”. Ao mesmo tempo, para transmitir confiança, ele afirma que parou com tudo na vida, que vai deixar de ganhar dinheiro, mas que quer servir ao povo.

O professor sugere que o influenciador montou uma semana de lançamento para o debate na Band, da mesma forma como faz com seus infoprodutos. Sob essa perspectiva, a convenção que confirmou sua pré-candidatura iniciou a semana, com a declaração de que dois adversários são usuários de cocaína – assunto que dominou as discussões nas redes nos dias seguintes, culminando no debate televisivo.

“A grande diferença em relação à geração anterior é que houve políticos que adotaram técnicas do infoproduto e as utilizaram em suas campanhas.Gradualmente foram desenvolvendo isso, como a academia MBL, que está formando uma identidade coletiva,” destaca Vasques. “Marçal não é da política. Ele possivelmente é o maior lançador de infoprodutos do Brasil. Ele não está adaptando essas técnicas, está fazendo algo que nunca tínhamos visto: uma infocampanha.”

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