O município de Sorriso, no Mato Grosso, ficou marcado por um crime terrível envolvendo violência sexual, em novembro do ano passado. Um pedreiro de 32 anos matou quatro mulheres e abusou sexualmente de três delas, todas da mesma família.
Sorriso apresentou a maior taxa de estupro e estupro de vulnerável, com 113,9 casos a cada 100 mil habitantes, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado recentemente.
Gilberto Rodrigues dos Anjos foi o autor do crime hediondo, invadindo a residência das vítimas durante a noite e assassinando Cleci Calvi Cardoso, Miliane Calvi Cardoso, Manuela Calvi Cardoso e Melissa Calvi Cardoso, todas da família Calvi Cardoso. Três delas foram vítimas de estupro, de acordo com as investigações policiais.
O ato chocante em Sorriso trouxe repercussões até o Congresso Nacional, com projetos de lei em discussão para auxiliar na identificação de criminosos foragidos, como no caso de Gilberto, que possuía mandados de prisão em aberto por estupro e latrocínio, mas ainda assim trabalhava como pedreiro próximo à casa da família das vítimas.
Apesar da brutalidade da chacina da família Calvi Cardoso, esse crime foge do padrão dos casos de estupro na região de Sorriso e no restante do país, onde, na maioria das vezes, os agressores são familiares ou conhecidos das vítimas.
Maníaco de Sorriso
Em depoimento à polícia, Domingos, o criminoso, alegou que estava sob efeito de drogas e pretendia cometer um roubo na residência, mas acabou por esfaquear e asfixiar as vítimas, incluindo uma criança de 10 anos, que estaria fazendo muito barulho.
Os investigadores conseguiram confirmar a autoria do crime por meio das marcas de chinelos de Domingos deixadas no local do crime, sujas de sangue.
Domingos possui um histórico criminal violento, sendo condenado por homicídio e roubo em 2014 e por estupro e tentativa de homicídio em outra ocasião. Atualmente preso, ele ficou conhecido como o Maníaco de Sorriso e está sob julgamento.
Mudanças na Legislação
A chacina da família Calvi Cardoso teve reflexos no trabalho legislativo no Congresso Nacional. A deputada federal Silvye Alves propôs a criação do Cadastro Nacional de Pessoa Condenada por Violência Contra a Mulher, citando o crime ocorrido em Sorriso como justificativa.
O senador Ciro Nogueira apresentou uma proposta para acesso público a informações sobre condenados por crimes sexuais contra menores, que foi reformulada pela senadora Damares Alves e recebeu o nome de “Lei Meninas Calvi Cardoso”, em homenagem às vítimas da chacina em Sorriso.

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