A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, declarou nesta segunda-feira (12/8) que o candidato Edmundo González assumirá a presidência do país em 10 de janeiro.
O pronunciamento dela surge como uma pressão a Nicolás Maduro, em meio a um impasse após a eleição presidencial de 28 de julho.
“González será o novo chefe de Estado e comandante das Forças Armadas venezuelanas, e isso dependerá do que todos nós, os venezuelanos dentro e fora do país, fizermos”, disse Corina Machado em uma entrevista a um canal de televisão.
Ela reforçou que a posse do opositor “dependerá da força, organização, convicção e compromisso que empregamos nos últimos meses, que resultaram em uma vitória contundente, mantendo-se forte e crescendo. Por isso, tenho a certeza de que em 10 de janeiro teremos um novo presidente”.
O dia 10 de janeiro marca a posse do presidente eleito, mas a realização dessa cerimônia está incerta no momento, visto que ambos os lados reivindicam a vitória no pleito.
Eleições contestadas
Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), alinhado a Maduro, o presidente foi reeleito para seu terceiro mandato com 52% dos votos. No entanto, as atas eleitorais, que registram os votos em cada local de votação, não foram apresentadas.
O órgão alega ter sido hackeado.
Já a oposição afirma que o candidato Edmundo venceu as eleições com 67% dos votos.
O grupo aponta como prova um site criado pelos próprios opositores com mais de 80% das atas digitalizadas, às quais tiveram acesso por meio de representantes presentes na maioria dos locais de votação.
Além da contagem paralela da oposição, uma verificação independente das atas eleitorais feita pela agência de notícias Associated Press (AP) na semana passada, com base nesses documentos, indicou que o opositor venceu o pleito com uma diferença de 500 mil votos.
Diversos países, incluindo Brasil, Estados Unidos e União Europeia, têm solicitado a divulgação das atas por parte de Caracas. No sábado (10/8), a Suprema Corte da Venezuela iniciou uma auditoria das eleições e afirmou que o resultado será “invencível”.
O Brasil, no entanto, já declarou que não reconhecerá o resultado proclamado pela Justiça venezuelana sem a divulgação das atas.
Vitória de González sem legitimidade
Desde a eleição, Maria Corina Machado argumenta que Maduro foi derrotado e pede que ele abandone o poder.
“Estamos em uma situação completamente diferente. O mundo todo sabe que Maduro perdeu, que foi derrotado de forma contundente e que agora deseja permanecer no poder através da maior fraude da história deste hemisfério. Isso significa que ele não tem nenhuma legitimidade”, declarou em entrevista.
A líder da oposição também apelou para que a pressão sobre Maduro, exercida pela população venezuelana e pela comunidade internacional, não cesse e force o presidente a acabar com a repressão.
Maduro colocou as Forças Armadas nas ruas para reprimir os protestos contra o governo que eclodiram no país.
Na semana passada, a oposição venezuelana se mostrou disposta a oferecer garantias de proteção ao presidente venezuelano caso ele concordasse em realizar uma transição gradual de poder. Maduro descartou a possibilidade de negociação e solicitou que a líder oposicionista Maria Corina Machado se entregasse à Justiça.

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