Governo de Ortega fecha 1.500 ONGs religiosas e prende sacerdotes na Nicarágua

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O governo liderado por Daniel Ortega, na Nicarágua, tomou uma medida severa ao encerrar 1.500 organizações não governamentais, a maioria delas com ligações religiosas. A justificativa para essa ação foi a falta de prestação de contas financeiras das ONGs ao longo de longos períodos, que variam de 1 a 35 anos. Todos os ativos das organizações serão confiscados pelo Estado, intensificando as tensões entre o governo e entidades religiosas no país.

Essa ação ocorre em um contexto de perseguição religiosa que tem sido motivo de preocupação internacional. Desde dezembro de 2023, pelo menos 13 sacerdotes, incluindo um bispo, foram detidos na Nicarágua. O Papa Francisco expressou profunda preocupação com a situação durante uma oração no Vaticano, solidarizando-se com os religiosos e suas famílias. Ele afirmou, “Estou profundamente preocupado com o que está acontecendo na Nicarágua, onde bispos e sacerdotes foram privados de liberdade”.

As tensões entre a Igreja Católica e o governo de Ortega têm se agravado desde 2018, quando o presidente acusou os líderes religiosos de apoiarem os opositores durante os protestos que resultaram em mais de 300 mortes, de acordo com a ONU. A advogada Martha Molina, especialista em questões da Igreja nicaraguense, relata que a Igreja Católica no país sofreu 740 ataques desde 2018, levando à expulsão de 176 sacerdotes e religiosos ou os impedindo de retornar.

Além das tensões internas, o governo nicaraguense enfrenta desafios diplomáticos, como a recente expulsão do embaixador brasileiro Breno Souza da Costa. Em resposta, o governo brasileiro expulsou a chefe da embaixada nicaraguense em Brasília, Fulvia Patricia Castro Matus, agravando ainda mais a relação entre os dois países.

Esses acontecimentos na Nicarágua refletem não apenas um cenário de tensão política e religiosa, mas também uma crise que ganha proporções internacionais. A comunidade global observa com preocupação os desdobramentos desse conflito entre o governo de Ortega, as organizações religiosas e as repercussões diplomáticas nas relações entre os países envolvidos.

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