A Operação Overclean teve início a partir de uma denúncia da Controladoria-Geral da União (CGU) na Bahia e revelou irregularidades em contratos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). A investigação aponta para a existência de uma organização criminosa envolvida em crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e organização criminosa.
Conversas interceptadas pela Polícia Federal mostram que os investigados atuam há bastante tempo cometendo fraudes e desvios de recursos públicos, com uma ação coordenada para destruir provas. As evidências apontam para a utilização de três máquinas trituradoras operando continuamente para eliminar documentos que pudessem incriminá-los.
Além da destruição de documentos físicos, os envolvidos também se preocuparam em apagar dados digitais, como mensagens no WhatsApp, trocar aparelhos celulares e computadores, e transferir arquivos para locais seguros. A cautela era redobrada em relação a propostas enviadas a diretores e outros documentos que pudessem ligar as empresas envolvidas nos crimes.
A Polícia Federal obteve uma lista de escutas ambientais como parte das provas da investigação, incluindo a transcrição de mensagens interceptadas entre os investigados. Em uma das conversas, os irmãos Alex e Fábio Parente discutiram estratégias para favorecer uma de suas empresas em um processo licitatório, mesmo diante de contratempos inesperados.
A investigação aponta que a organização criminosa movimentou aproximadamente R$ 1,4 bilhão, com contratos superfaturados e pagamento de propinas a servidores públicos. A PF determinou o sequestro de bens em posse do grupo, como aeronaves, imóveis de luxo e veículos, totalizando R$ 162,4 milhões.
Além disso, oito servidores públicos foram afastados de suas funções e a investigação contou com a cooperação da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations – HSI).

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