Pássaros com três personalidades: gene revela segredo da super testosterona; entenda

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Cientistas da Universidade de Simon Fraser (Canadá) publicaram estudo na Science sobre único gene que regula os níveis de testosterona de espécie de ave que intriga a biologia há tempos. Essa espécie intrigante chama-se Combatente, pássaros que contém característica peculiar: três tipos de machos completamente diferentes um dos outros, conhecidos como morfos.

Esses morfos se diferem em dois pontos principais: a aparência, tanto a coloração, quanto a organização das penas se diferem para cada tipo de macho; e o comportamento quanto ao acasalamento. O novo estudo descobriu a super enzima HSD17B2, que corre no sangue desses pássaros. Ela é capaz de regular os níveis de testosterona nessas aves e pode ser a resposta para existência desses diferentes morfos.

Diferenças de cada tipo de macho com testosterona alterada

“Independentes”

A maioria dos machos são conhecidos como “independentes“. Eles possuem plumagem escura e densa para reprodução e defendem pequenos territórios para acasalamento de forma agressiva para impressionar as fêmeas.

Pássaro macho maçarico-de-bico-branco
“Independentes” têm plumagem branca e comportamento agressivo
(Imagem: Simonas Minkevicius/Shutterstock)

“Satélites”

Existem também os “satélites“, que são menores e têm plumagens de cores mais claras. Eles formam alianças entre si para se co-exibirem para as fêmeas. Porém, cada um tem o objetivo de acasalar com o maior número possível de fêmeas.

Pássaro macho do tipo satélite
“Satélites” contém plumagem mais escura e se unem para se exibirem para fêmeas
(Imagem: Simonas Minkevicius/Shutterstock)

“Travestis”

O terceiro tipo são os “travestis”, que adotam abordagem criativa. Eles não contêm plumagem nem comportamento exibicionista. Na verdade, eles se disfarçam de fêmeas para enganá-las e poderem entrar tranquilamente nas áreas de acasalamento.

A espécie é louca, com três tipos de machos de aparência e comportamento estranhos”, diz David Lank, biólogo da SFU que estuda essas aves há 40 anos e cuja equipe foi a primeira a descobrir as diferenças de testosterona entre os morfos, ao Phys.org. “Esse artigo explica muito sobre os processos genéticos e fisiológicos que controlam o desenvolvimento dos três tipos.”

Pássaro macho sem plumagem
“Faeders” abdicam de sua plumagem para se infiltrarem no meio das fêmeas
(Imagem: Simonas Minkevicius/Shutterstock)

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Influência dessa super enzima nos machos e na testosterona

  • Com isso, é perceptível grande diferença comportamental do primeiro morfo que citamos para os outros dois;
  • O primeiro tem seu comportamento baseado na agressividade, o que convém dado o excesso de testosterona que os outros dois não possuem;
  • Isso é comprovado por meio de estudos anteriores, que mostram que os dois últimos tipos de machos têm muito menos testosterona que o primeiro em seu sangue;
  • Já esse novo artigo identifica o gene exato que produz a super enzima que controla esses diferentes níveis de testosterona por todo corpo, exceto os testículos, pois a testosterona é necessária nos órgãos reprodutores para a formação dos gametas.

Lank diz ainda que a forma especial que o gene se relaciona com o esteroide poderia, até, ser usado para questões terapêuticas em humanos. Mas, para isso, é preciso mais estudos. “O HSD17B2 é de três a quatro vezes mais eficiente na conversão de testosterona em androstenediona”, prossegue o pesquisador. “Isso levanta a possibilidade de tratar pessoas com alguns distúrbios de hipertestosterona com essa forma de enzima, ou uma enzima sintética projetada com base em sua estrutura.”

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