Aliados do presidente Lula (PT) enfatizam que a acentuada queda na aprovação do governo revela que os problemas vão além da comunicação, indicando questões estruturais mais profundas. Ministros como Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda) estão sob pressão e há pedidos por mudanças significativas no governo.
A constatação é de que a queda acentuada de popularidade, refletida na pesquisa Datafolha, se deve em grande parte ao aumento nos preços dos alimentos e à crise do Pix. Mesmo ocorrendo fora da esfera de responsabilidade do governo federal, a crise na segurança pública também impacta a avaliação do presidente, conforme reconhecido por seus colaboradores.
O levantamento do Datafolha revelou uma queda expressiva na aprovação de Lula em apenas dois meses, passando de 35% para 24%, atingindo um patamar inédito em suas três gestões no Palácio do Planalto. A reprovação também atingiu um nível recorde, subindo de 34% para 41%.
Além disso, 32% dos entrevistados consideram o governo como regular, em comparação com 29% em dezembro do ano passado, quando a última pesquisa sobre o tema foi realizada.
Um aliado de Lula no Congresso ressalta que o momento da pesquisa, logo no início do ano, contribuiu para a situação, considerando que as pessoas geralmente enfrentam mais despesas nesse período e sentem os impactos da inflação. Com a ausência de eleições este ano, a expectativa é que o governo consiga se recuperar e reverter a queda de popularidade.
Líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), destaca a necessidade de maior engajamento político e priorização da agenda popular.
Sem mencionar Haddad diretamente, Lindbergh enfatiza a necessidade de uma pauta governamental distinta da influência da Faria Lima, em alusão ao mercado financeiro. Ele enfatiza a importância de uma agenda centrada nas questões populares e que impactem diretamente a vida das pessoas.
Para reverter essa situação, Lindbergh destaca medidas como a disponibilização de remédios gratuitos pelo Farmácia Popular, isenção de Imposto de Renda para rendas até R$ 5.000, e a proposta de fornecimento de gás gratuito a 22 milhões de brasileiros, como exemplos de iniciativas que dialogam com a população.
Em suma, aliados reconhecem a necessidade de fortalecer a conexão entre as realizações do governo e a percepção da população, tirando o foco da pauta da Faria Lima. A superexposição da primeira-dama, Rosângela Silva, conhecida como Janja, e a insistência em pautas identitárias são apontadas como outros fatores prejudiciais à imagem do governo.
Por outro lado, a oposição celebrou os resultados da pesquisa. Ciro Nogueira (PP-PI) destacou que a baixa popularidade reflete a postura confrontadora do presidente, enquanto o líder da oposição na Câmara, Coronel Zucco (PL-RS), utilizou a queda de aprovação para reforçar o chamado por manifestações em prol do impeachment do presidente, convocadas por grupos bolsonaristas para março.

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