Facções se associam de olho em lucros bilionários, diz pesquisador

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São Paulo – A expansão do comércio internacional legalizado impulsionou a globalização das escalas logísticas, levando as organizações criminosas a se adaptarem a esse novo cenário. Consequentemente, surgiram relações comerciais ilícitas entre grupos brasileiros, latino-americanos e europeus.

Segundo Roberto Uchôa, pesquisador da Universidade de Coimbra e conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a internacionalização das facções criminosas envolve acordos estratégicos entre diferentes grupos. Um exemplo é o Primeiro Comando da Capital (PCC), que se tornou o principal fornecedor de cocaína do Brasil para países europeus e africanos, graças a alianças com produtores na Colômbia e Bolívia, bem como com máfias europeias.

Além disso, facções antes rivais, como PCC e Comando Vermelho (CV) do Rio de Janeiro, optaram por uma cooperação estratégica visando aos lucros do tráfico internacional de drogas. O acordo de paz entre essas organizações demonstra que trabalhar em conjunto é mais rentável do que a disputa por rotas e logística de frotas.

A parceria transnacional entre facções criminosas foi evidenciada após a apreensão de 6,5 toneladas de cocaína em um narcossubmarino, com tripulantes do Brasil, Colômbia e Espanha.

O caminho do PCC

Seguindo os passos do PCC, o Comando Vermelho expande suas atividades internacionalmente. Enquanto o PCC consolidou sua hegemonia no tráfico pelo controle do maior porto do Brasil, em Santos, o CV busca agora consolidar sua presença internacional, visando territórios e operações lucrativas.

A aliança entre PCC e CV representa um marco estratégico, garantindo ao CV uma fonte de renda alternativa aos lucros do tráfico. A facção adota práticas para diversificar suas atividades e garantir sua presença em territórios-chave, assim como as milícias que oferecem serviços diversos além do tráfico de drogas.

O PCC, por sua vez, foca em operações marítimas e aéreas no tráfico internacional, gerando bilhões em lucros anuais, principalmente em Santos, onde fatura cerca de R$ 10 bilhões.

Recorde de produção e demanda

O Relatório Mundial sobre Drogas da ONU revelou um aumento sem precedentes na produção e venda de cocaína, impulsionado pela crescente demanda global. Em 2022, houve um recorde de 2,7 mil toneladas produzidas, atingindo 23 milhões de usuários em todo o mundo, resultando em um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

O aumento da oferta e demanda de cocaína tem gerado aumento da violência e danos à saúde nos países consumidores, particularmente na Europa Ocidental e Central.

O expressivo volume de vendas enriquece as organizações criminosas a ponto de as apreensões policiais terem pouco impacto financeiro nesses grupos. Para desestabilizar o tráfico, seria necessário identificar e apreender mais de 90% dos estoques das organizações criminosas.

Diante disso, a luta contra as facções criminosas se mostra ineficaz, com rotas lucrativas e demanda crescente na Europa, África e expansão para a Oceania, representando um desafio constante para as autoridades policiais.

Em síntese, o atual cenário de combate ao tráfico enfrenta desafios significativos, refletindo a complexidade das operações das organizações criminosas e a necessidade de estratégias mais eficazes para coibir suas atividades ilícitas.

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