Propina era chamada de “beijos” e “cheiros” em obra bancada com emenda, diz MPF

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Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) com o Ministério Público Federal (MPF) e a Controladoria Geral da União (CGU) desvendou um esquema de desvio de verbas públicas na cidade de Patos, na Paraíba. Os envolvidos no esquema utilizavam termos como “beijos” e “cheiros” para se referirem a propinas, numa tentativa de dissimular as atividades ilícitas.

A investigação, denominada 2ª fase da operação Outside, realizou quatro mandados de busca e apreensão autorizados pela 14ª Vara da Justiça Federal de Patos, com o intuito de desvendar fraudes em licitações, sobrepreços e desvios de recursos públicos na obra de restauração da Alça Sudeste e da Avenida Manoel Mota em Patos.

A obra, no valor de aproximadamente R$ 5 milhões, foi custeada com emendas do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). Seu pai, Nabor Wanderley, é o atual prefeito da cidade, mas nenhum dos dois foi alvo da investigação.

Os diálogos interceptados pelos investigadores revelaram que a servidora municipal Eulanda Ferreira da Silva utilizava emojis de “beijos” e a expressão “cheiro” como codinomes para solicitar propinas a André Cesarino, suposto beneficiário do esquema, após a realização de medições relacionadas às obras licitadas na região.

policia federal (PF)
Policial Federal durante operação da corporação

A investigação também apontou que Eulanda atuava em favor dos interesses de André Cesarino perante a administração pública. Os pagamentos de propina eram realizados através de transferências Pix ou presencialmente, muitas vezes feitos pela esposa de André, Dayane Days Candeia Cesarino, na loja Atacadão Malhas, que também foi alvo da operação.

Apesar da constatação de transferências Pix entre Eulanda e André, o MPF alega que os pagamentos geralmente eram feitos por Dayane Days, tanto em dinheiro quanto através de transferências Pix na referida loja de roupas. A empresa Atacadão Malhas aparenta ter envolvimento nos pagamentos destinados a Eulanda Ferreira.

Questionados sobre o assunto, André Cesarino e o deputado Hugo Motta optaram por não comentar. A coluna não conseguiu contatar os demais citados na investigação.

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